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  • Roubo de Cargas no Brasil: Dados e Tendências 2024

    O roubo de cargas nas rodovias brasileiras tem sido uma preocupação constante para o setor de transporte rodoviário de cargas. A Associação Nacional do Transporte de Cargas e Logística (NTC&Logística) tem monitorado e divulgado estatísticas sobre essas ocorrências desde 1998, servindo como referência para transportadores, seguradoras, órgãos de imprensa e instituições públicas.

    Panorama Atual do Roubo de Cargas no Brasil

    De acordo com dados compilados pela NTC&Logística, o número de ocorrências de roubo de cargas no Brasil apresentou uma tendência de queda nos últimos anos. Em 2017, foram registradas 25.950 ocorrências, enquanto em 2024 esse número caiu para 10.478, representando uma redução de 59,6% no período. Em termos financeiros, os valores subtraídos também diminuíram, passando de R$ 1,57 bilhão em 2017 para R$ 1,217 bilhão em 2024, uma redução de 22,5%.

    A região Sudeste continua sendo a mais afetada, concentrando 81,33% das ocorrências em 2020. Dentro dessa região, São Paulo e Rio de Janeiro lideram em número de casos. Outras regiões, como o Sul e o Nordeste, registraram percentuais menores, com 8,89% e 6,66% das ocorrências, respectivamente.

    Produtos Mais Visados

    As quadrilhas especializadas em roubo de cargas têm preferência por determinados tipos de mercadorias. Entre os produtos mais visados estão:

    • Produtos alimentícios: devido à sua alta demanda e facilidade de revenda.
    • Combustíveis: pela sua importância e valor no mercado.
    • Produtos farmacêuticos: devido ao alto valor agregado e demanda constante.
    • Autopeças: facilmente comercializáveis no mercado paralelo.
    • Têxteis e confecções: pela alta procura e facilidade de distribuição.
    • Cigarros: produto de alto valor e fácil revenda.
    • Eletroeletrônicos: devido ao seu valor e demanda no mercado negro.
    • Bebidas: especialmente as alcoólicas, pela alta demanda.
    • Defensivos agrícolas: produtos de alto valor utilizados no setor agrícola.

    Medidas Defendidas pela NTC&Logística para Redução dos Roubos

    Para combater o roubo de cargas, a NTC&Logística propõe uma série de medidas que envolvem tanto o setor privado quanto o poder público:

    1. Fortalecimento da Segurança Pública: A NTC&Logística trabalha em conjunto com as autoridades de segurança pública e o governo federal para diminuir os números de roubos de cargas.
    2. Uso de Tecnologia Avançada: A implementação de sistemas de monitoramento contínuo das redes e dos sistemas associados ao transporte rodoviário é uma estratégia eficaz para a detecção precoce de atividades suspeitas. Ferramentas como Sistemas de Detecção de Intrusão (IDS) e análise de tráfego de rede permitem identificar e responder rapidamente a tentativas de ataque, minimizando possíveis danos.
    3. Gestão de Riscos Baseada em Big Data: A utilização de Big Data no transporte visa fornecer informações em tempo real, permitindo a análise abrangente de aspectos relevantes para otimizar a utilização de modalidades específicas, diminuir custos e reduzir o tempo de viagem. A gestão de riscos baseada em Big Data possibilita a identificação de áreas com maior incidência de roubos de carga e condições adversas nas estradas, permitindo a adoção de medidas preventivas para melhorar a segurança.
    4. Implementação de Planilhas Referenciais de Custos: A NTC&Logística sugere a utilização de planilhas referenciais de custos que incluem componentes específicos para cobrir despesas relacionadas à segurança, como o Gerenciamento de Risco e Segurança (GRIS). Este componente é representado por um percentual sobre o valor da Nota Fiscal e destina-se a cobrir os custos específicos decorrentes das medidas de combate ao roubo de cargas, notadamente as de prevenção de risco, redução de risco e transferência de riscos.
    5. Parcerias Público-Privadas: A entidade defende a criação de parcerias entre o setor privado e órgãos governamentais para o desenvolvimento de políticas públicas eficazes no combate ao roubo de cargas. Isso inclui a participação ativa em comitês e fóruns de segurança, além da colaboração em operações conjuntas.
    6. Capacitação e Treinamento: Investir na formação de motoristas e equipes de logística para que estejam preparados para identificar e reagir a situações de risco, além de promover a conscientização sobre a importância de seguir protocolos de segurança.
    7. Aprimoramento Legislativo: A NTC&Logística atua na proposição e apoio a projetos de lei que visem aumentar as penas para crimes de roubo de cargas e dificultar a receptação de mercadorias roubadas, tornando o crime menos atrativo para os criminosos.

    Conclusão

    Embora os dados indiquem uma redução significativa nos casos de roubo de cargas nos últimos anos, o problema ainda representa um desafio considerável para o setor de transporte rodoviário de cargas no Brasil. A atuação proativa da NTC&Logística, por meio de medidas abrangentes que englobam tecnologia, parcerias e políticas públicas, é fundamental para continuar avançando na mitigação desse tipo de crime e garantir a segurança das operações logísticas em todo o país.

    José Augusto Valente – Setorial Nacional do PT – Logística, Transporte e Mobilidade Urbana

  • Secretária Maína Celidônio Apresenta Avanços do Jaé

    Vídeo e resumo da apresentação feita pela Secretária de Transportes do Rio, Maína Celidôneo, no Clube de Engenharia, em 4/2/2025.

    Resumo da Apresentação da Secretária Maína Celidônio sobre o Jaé no Clube de Engenharia

    No dia 4 de fevereiro de 2025, a Secretária Municipal de Transportes do Rio de Janeiro, Maína Celidônio, apresentou no Clube de Engenharia os avanços e desafios do novo sistema de bilhetagem eletrônica municipal, o Jaé, que será implementado integralmente a partir de 1º de julho de 2025. O evento abordou as mudanças estruturais no sistema de transporte público da cidade, destacando a transição do modelo atual, baseado no RioCard, para um sistema mais transparente, controlado pela Prefeitura.

    Contexto e Objetivos do Jaé

    • Mudança Estrutural: A implementação do Jaé representa uma das mudanças mais importantes no sistema de transporte público do Rio de Janeiro, com o objetivo de garantir maior transparência na arrecadação e controle financeiro.
    • Fim da Dependência do RioCard: O contrato atual com o RioCard, gerido pelos empresários de ônibus, não permite à Prefeitura acesso pleno aos dados financeiros e operacionais do sistema. O Jaé elimina essa dependência, permitindo que a Prefeitura tenha controle direto sobre os dados e a arrecadação.
    • Controle Público: O Jaé é considerado um serviço público, licitado pela Prefeitura, garantindo o controle governamental sobre o sistema de bilhetagem e a arrecadação.

    Problemas Identificados no Modelo Atual

    1. Falta de Transparência: A Prefeitura não possui acesso direto aos dados operacionais e financeiros do RioCard, dificultando o planejamento e a fiscalização do transporte público.
    2. Conflito de Interesses: Os empresários de ônibus, que recebem subsídios da Prefeitura, também controlam o RioCard, criando um ambiente de potencial conflito de interesses.
    3. Planejamento Ineficiente: A ausência de dados detalhados em tempo real impede ajustes rápidos no planejamento das linhas e no atendimento às demandas dos usuários.

    Principais Inovações do Jaé

    1. Controle da Arrecadação: Com o Jaé, o dinheiro arrecadado nas passagens será transferido diretamente para uma conta da Prefeitura no mesmo dia, permitindo maior transparência e controle.
    2. Dados em Tempo Real: A Prefeitura terá acesso a dados detalhados sobre a operação do sistema, incluindo informações sobre catracas, horários e localização dos veículos.
    3. Modelo Baseado em Contas: Diferente do RioCard, o Jaé utiliza um modelo em que o saldo do usuário fica vinculado a uma conta digital, e não ao cartão físico. Isso permite que, em caso de perda do cartão, o saldo seja preservado.
    4. Facilidade de Uso: O sistema permite o uso de cartões físicos, QR Codes e aplicativos, além de possibilitar a integração de benefícios como cashback e passes mensais.

    Produtos do Jaé

    • Cartão Verde (Avulso): Voltado para turistas e pessoas sem CPF. Funciona como o RioCard atual, mas sem vínculo com uma conta digital.
    • Cartão Preto: Ligado a uma conta digital, recomendado para residentes e usuários de vale-transporte. Oferece maior segurança e funcionalidades, como bloqueio e recuperação de saldo em caso de perda.
    • Cartão Amarelo (Gratuidade): Destinado a estudantes, idosos e pessoas com deficiência. Possui biometria para evitar fraudes.

    Impactos e Benefícios

    • Para os Usuários: O Jaé traz maior segurança, praticidade e opções de pagamento. Além disso, elimina a necessidade de validação física de cargas e permite o uso de um único cartão para diferentes benefícios.
    • Para a Prefeitura: O sistema garante maior controle sobre a arrecadação e o planejamento, além de reduzir incentivos para práticas irregulares, como a recusa de gratuidades.
    • Para o Transporte Público: A remuneração dos operadores será baseada em quilômetros rodados, e não no número de passageiros, eliminando a competição entre modais e incentivando a melhoria do serviço.

    Desafios e Transição

    • Integração com o Estado: Apesar de o Jaé estar totalmente implantado nos modais municipais (ônibus, BRT, VLT, vans e kombis), ainda não há integração com os modais estaduais (metrô, SuperVia e barcas), geridos pelo RioCard. A Prefeitura busca um acordo com o Governo do Estado para garantir a interoperabilidade entre os sistemas.
    • Dois Cartões: Durante a transição, os usuários que utilizam tanto modais municipais quanto estaduais precisarão portar dois cartões (Jaé e RioCard). A Prefeitura está trabalhando para minimizar o impacto dessa mudança e garantir que não haja perda de benefícios tarifários, como o Bilhete Único Intermunicipal.
    • Distribuição de Cartões: Houve atrasos na entrega de cartões devido à alta demanda, mas a Prefeitura está ampliando os pontos de atendimento e oferecendo a entrega gratuita de cartões para idosos e outros grupos prioritários.

    Gratuidades

    • Estudantes: Os cartões foram distribuídos diretamente nas escolas municipais. Para estudantes de outras instituições, o cadastro pode ser feito pelo aplicativo ou nas lojas físicas.
    • Idosos e Pessoas com Deficiência: Os cartões foram enviados para clínicas da família e podem ser retirados presencialmente ou solicitados para entrega em casa.

    Próximos Passos

    • Exclusividade do Jaé: A partir de 1º de julho, o RioCard será desativado nos modais municipais, e apenas o Jaé será aceito.
    • Integração Regional: A Prefeitura continua negociando com o Governo do Estado para garantir a integração completa entre os sistemas municipais e estaduais.
    • Monitoramento e Transparência: A Prefeitura utilizará os dados do Jaé para melhorar o planejamento e a operação do transporte público, atendendo melhor às demandas da população.

    Considerações Finais

    A Secretária Maína Celidônio destacou que o Jaé representa um marco na gestão do transporte público no Brasil, sendo o primeiro sistema de bilhetagem licitado e controlado por um município. Apesar dos desafios, ela acredita que o sistema trará benefícios significativos para os usuários e para a cidade, promovendo maior eficiência, transparência e qualidade no transporte público.

    O evento foi finalizado com perguntas do público, que abordaram temas como integração, distribuição de cartões e combate a fraudes. A Secretária reafirmou o compromisso da Prefeitura em garantir uma transição tranquila e atender às necessidades dos usuários.

    Clique aqui e conheça o contrato de concessão do produto Jaé, entre a Prefeitura do Rio e a empresa CBD Bilhete Digital SA

    Obs: a imagem ilustrativa deste webpost foi gerada por IA.

    A imagem do cartão e aplicativo do Jaé é esta:

  • Projetos Ferroviários que Transformam o Brasil

    O Plano Nacional de Ferrovias do governo federal, que será anunciado oficialmente em fevereiro, prevê um investimento total de até R$ 100 bilhões e contempla a construção e concessão de 4.700 quilômetros de novas ferrovias. Esse projeto estratégico visa integrar melhor as regiões Sudeste, Norte e Nordeste do Brasil, trazendo benefícios diretos a diversos estados. Os destaques incluem:

    Principais Projetos e Estados Beneficiados

    1. Ferrovia Norte-Sul:
      • Trecho de Açailândia (MA) ao porto de Vila do Conde, em Barcarena (PA), com 477 km de extensão.
      • Objetivo: melhorar o escoamento de cargas pelo Norte.
    2. Transnordestina:
      • Ligação de Eliseu Martins (PI) a Estreito (MA), totalizando 600 km.
      • Conexão com a Norte-Sul, ampliando a malha ferroviária do Nordeste.
    3. Fico e Fiol:
      • Integração da Ferrovia do Centro-Oeste (Fico) e da Ferrovia de Integração Oeste-Leste (Fiol) em um único traçado de 2.400 km.
      • Percurso inclui Lucas do Rio Verde (MT), Água Boa (MT), Mara Rosa (GO), Barreiras (BA), Caetité (BA) e Ilhéus (BA).
    4. Anel Ferroviário do Sudeste:
      • Trajeto de 300 km ligando Vitória (ES) a Itaboraí (RJ).
      • Conexão entre a Ferrovia Vitória-Minas e a rede da MRS Logística.
    5. Ferrogrão:
      • 933 km de Sinop (MT) a Miritituba (PA), voltados para o transporte do agronegócio aos portos do Norte.
      • Projeto enfrenta desafios ambientais, dependendo de aval do Supremo Tribunal Federal (STF).

    Financiamento

    • O governo federal contribuirá com até 20% do orçamento dos projetos, assegurando a viabilidade econômica das concessões.
    • Recursos iniciais vêm da repactuação de contratos com grandes concessionárias (Vale, Rumo e MRS), que resultaram em um aporte de R$ 21,2 bilhões.
    • Modelo de concessão prioriza empresas que demandem menor dependência de recursos públicos.
    • No total, o governo pretende captar investimentos privados significativos para viabilizar as obras.

    Recuperação de Ferrovias Abandonadas

    • Estratégia para revitalizar 11,1 mil quilômetros de trilhos abandonados, equivalentes a 36% da malha ferroviária nacional.
    • Devolução desses trechos pelas concessionárias será compensada com indenizações aos cofres públicos.

    Impacto Regional e Nacional

    O plano visa superar as dificuldades históricas do modal ferroviário no Brasil e complementar os avanços nas concessões de rodovias e portos realizados nos últimos anos. Os estados beneficiados diretamente incluem Maranhão, Pará, Piauí, Mato Grosso, Goiás, Bahia, Espírito Santo e Rio de Janeiro, com impacto econômico e logístico em todo o território nacional.

    Esse pacote é uma resposta à necessidade de modernizar a infraestrutura de transporte do país, incentivando a integração regional, reduzindo custos logísticos e promovendo o desenvolvimento sustentável.

    Fonte: Folha de São Paulo, em 17/1/2025

    Obs: a imagem destacada foi produzida por IA e é meramente ilustrativa

  • Opinião – Cai uma ponte, mas ainda faltam 726

    Publicado no site da Agência Infra, em 6/01/2025

    No dia 23 de dezembro, a tragédia do desabamento da ponte sobre o Rio Tocantins, que resultou em mortes e ferimentos graves, evidenciou uma questão crítica: o estado de conservação das infraestruturas rodoviárias do Brasil. Dados do DNIT (Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes), levantados pela Folha de S. Paulo, revelam que o país possui 727 pontes em condições estruturais críticas, das quais 130 estão na pior categoria possível e outras 597 são classificadas como ruins. E esses números não incluem os viadutos, o que torna essa situação mais dramática, na medida em que estes também sofrem os mesmos impactos diretos do movimento de caminhões de carga em suas estruturas, e têm a mesma idade das pontes avaliadas.

    A atual LOA (Lei Orçamentária Anual) destina 50,87% dos recursos, ou R$2,5 trilhões, para juros e amortização da dívida pública, enquanto para setores vitais, como infraestrutura de transporte, sob responsabilidade do Ministério dos Transportes, são destinados apenas 0,27% do orçamento total, ou R$ 13,5 bilhões.

    Paralelamente, a LOA prevê R$ 49,2 bilhões em emendas parlamentares, que representam quase quatro vezes o valor destinado à função transporte. montante destinado a iniciativas locais que nem sempre estão alinhadas às demandas estruturais prioritárias, como educação, saúde, assistência social e, sobretudo, transporte e logística.

    Esse desequilíbrio é preocupante. O Brasil é um país cuja economia depende intensamente do transporte de cargas por rodovias, e a precariedade da infraestrutura logística compromete não apenas a segurança da população, mas também o desempenho econômico. Sem mudanças estruturais significativas no orçamento, é provável que outras pontes e viadutos enfrentem colapsos nos próximos anos, resultando em tragédias evitáveis.

    A mudança desse cenário exige decisões políticas corajosas como redistribuir uma pequena parte dos recursos alocados às emendas parlamentares ou ao pagamento da dívida, o que for mais viável para o governo federal e para o Congresso Nacional, para investimentos exclusivamente no DNIT, na manutenção do patrimônio logístico de pontes e viadutos.

    Estamos falando de algo em torno de R$ 3 bilhões/ano, que permitirão salvar vidas, como também recuperar o patrimônio rodoviário federal e aumentar a eficiência logística, contribuindo para o crescimento econômico sustentável e a redução dos custos das mercadorias transportadas.

    Se nada for feito, desastres como o recente desabamento da ponte sobre o Rio Tocantins continuarão a se repetir, com impacto para famílias, comunidades e a economia nacional. O momento exige uma reavaliação das prioridades orçamentárias, assegurando que os recursos públicos sejam direcionados para onde se mostram mais necessários.

    * José Augusto Valente é membro da Divisão Técnica de Transporte e Logística do Clube de Engenharia. Foi Secretário de Política Nacional de Transportes e Presidente do DER-RJ.

  • Desmistificando Fake News sobre Estatais

    Este webpost é importante para quem defende, como nós, que a melhor alternativa para o país é que os serviços públicos estejam subordinados ao interesse público e, portanto, sob gestão pública, com rigoroso controle social.

    Análise da tentativa de desinformação da Folha:

    O jornal Folha de S. Paulo, que defende a privatização de todas estatais e dos serviços públicos, apresentou neste sábado uma fake news sobre a situação das empresas públicas no governo Lula na reportagem “Sob Lula 3, déficit de estatais atinge recorde em 15 anos”.

    A notícia falsa fica escancarada logo no início da reportagem, quando a Folha aponta os critérios para a reportagem. “A base de comparação são os anos desde 2009, quando o BC deixou de colocar na conta a Petrobras e a Eletrobras que, por serem empresas muito grandes, acabam distorcendo os números. Os bancos públicos também não são contabilizados já que, pela natureza do negócio, não são equiparáveis a companhias não financeiras”, escreve o jornal.

    Ocorre que tanto a Petrobras quanto os bancos públicos, excluídos no cálculo da Folha, vêm apresentando não apenas lucros bilionários, como têm sido exemplo de boa governança.

    Em 2023, as 44 estatais federais e suas subsidiárias geraram lucro líquido de R$ 197,9 bilhões e recolheram R$ 49,4 bilhões em dividendos e Juros sobre o Capital Próprio para o Tesouro Nacional, além de outros R$ 78,7 bilhões para acionistas privados“, informou a ministra da Gestão, Esther Dweck, em nota enviada à Folha.

    A informação de que “as estatais federais sofreram um processo de deterioração durante o terceiro mandato do presidente Luiz Inácio Lula da Silva”, que abre a reportagem do jornal, é, portanto, falsa e tem três objetivos:

    • estimular a privatização de empresas altamente lucrativas, como a Petrobras e os bancos públicos;
    • ampliar a privatização de serviços públicos estratégicos, como transportes, saneamento e energia, entre outros que não fazem parte do ranking; e
    • alimentar redes de desinformação da extrema-direita nas redes sociais.

    Fonte: Brasil 247, em 28/12/2024

    Clique aqui e aqui para ler o que este blog já publicou sobre o assunto.

  • Reversão de Privatizações: Caminho para Serviços Públicos de Qualidade


    Nas últimas três décadas, o Brasil e o mundo embarcaram em um ciclo intenso de privatizações, sob o argumento de que a gestão privada seria mais eficiente, moderna e capaz de trazer benefícios econômicos amplos. Entretanto, os resultados dessa política têm revelado uma realidade que foge ao discurso inicial: aumento das tarifas, serviços de baixa qualidade e exclusão social. A reversão de privatizações mal sucedidas não é, como muitos sugerem, um retorno a modelos ultrapassados ou um ato de intervenção estatal indiscriminado. Trata-se de uma resposta pragmática e estratégica aos problemas e desafios que o Brasil enfrenta hoje. Em vez de um debate ideológico, é hora de discutir as privatizações sob a ótica do custo-benefício para os cidadãos como da sustentabilidade econômica e social do país.


    O Mundo e o Retorno à Gestão Pública

    Em várias partes do globo, países que lideraram o movimento de privatizações estão reavaliando suas escolhas. Alemanha, França, Reino Unido e Estados Unidos já reverteram a privatização de centenas de serviços essenciais, como energia, água e transporte. O motivo? A gestão privada mostrou-se incapaz de atender aos interesses coletivos de forma eficiente e justa.

    Em Paris, por exemplo, a água voltou para as mãos do setor público após auditorias demonstrarem que as empresas privadas priorizavam lucros em detrimento da infraestrutura e do atendimento à população.

    Na Alemanha, cidades como Berlim readquiriram suas redes de energia após aumento nas tarifas e falta de investimento em fontes renováveis.

    Esses países não realizaram reestatizações por ideologia, mas sim por necessidade. A constatação de que serviços essenciais exigem uma visão estratégica, voltada ao bem-estar público e à sustentabilidade de longo prazo, é um consenso crescente entre gestores de todas as matrizes políticas.

    O Caso Brasileiro: Privatizações e Seus Impactos

    No Brasil, as privatizações foram promovidas como solução para problemas fiscais e operacionais. Porém, seus efeitos sobre a sociedade e a economia são claros: tarifas elevadas em energia, transportes e saneamento; acesso limitado para os mais vulneráveis; e ausência de
    investimentos adequados em infraestrutura. Serviços como as de ferrovias privatizadas, por exemplo, mostram tarifas cada vez mais caras, não atendimento das demandas de pequenos e médios produtores e manutenção precária que nem sempre acompanha o aumento dos custos para os usuários.

    No transporte público, a fragmentação e a busca por rentabilidade levaram à precarização dos sistemas, resultando em redes menos integradas e mais onerosas para os usuários.

    Reversão como Solução: Benefícios para Todos


    Propor a reversão das privatizações no Brasil não é sugerir uma volta ao passado, mas avançar para um novo modelo em que a gestão pública priorize eficiência, transparência e qualidade.

    A experiência internacional e os exemplos bem-sucedidos no país demonstram que é possível combinar a gestão pública com parcerias estratégicas, garantindo que os interesses coletivos sejam respeitados.
    No campo econômico, a reestatização ou a retomada de serviços públicos sob gestão pública possibilita ganhos concretos para toda a sociedade. Para os mais vulneráveis, assegura acesso a serviços essenciais com qualidade e tarifas justas. Para o empresariado, cria um ambiente de infraestrutura mais eficiente e confiável, essencial para a competitividade. Para o governo, oferece maior controle sobre setores estratégicos, fundamental para o planejamento de longo prazo.


    Controle Social: Um Modelo de Governança Moderna

    Um dos pilares de um modelo de gestão pública eficiente é o controle social.

    Países que reestatizaram serviços essenciais adotaram medidas robustas para garantir a transparência e a participação cidadã. Conselhos consultivos, audiências públicas e plataformas de acompanhamento em tempo real permitem que cidadãos e usuários influenciem decisões, promovendo uma governança democrática e alinhada às necessidades da população.
    No Brasil, mecanismos semelhantes podem ser implementados para garantir que a reversão das privatizações não reproduza os erros de gestões públicas ineficientes do passado. Um exemplo é o modelo de conselhos de supervisão adotado em cidades alemãs, que incluem representantes da comunidade, especialistas e autoridades públicas, assegurando decisões equilibradas e bem fundamentadas.

    Conclusão: Uma Alternativa Estratégica Necessária

    A elite econômica e política do Brasil – mais resistentes à reversão -, ao compreender os ganhos potenciais desse movimento, pode liderar um novo ciclo de desenvolvimento sustentável, onde serviços públicos de qualidade, sob gestão pública eficiente e eficaz, tornam-se um pilar para o crescimento econômico e a coesão social. Afinal, em um modelo onde todos ganham, não há espaço para resistências infundadas, mas apenas para avanços reais.

    José Augusto Valente é membro da Divisão Técnica de Transporte e Logística do Clube de Engenharia. Foi secretário de Política Nacional de Transportes e presidente do DER-RJ.

  • O desafio das pontes e viadutos no brasil: diagnóstico e soluções para o futuro

    Há dois meses atrás, publiquei este artigo premonitório no site da Agência Infra.

    Infelizmente, no domingo passado (22/12/2024), houve um trágico acidente, com mortos e feridos, numa ponte na BR 226 TO/BR 230 MA.

    Reproduzo o artigo abaixo, para fazermos juntos uma reflexão sobre a situação das pontes e viadutos na malha rodoviária nacional, que exige medidas imediatas, se quisermos evitar outros eventos desse tipo, que estão em vias de ocorrer no próximo ano.

    Vamos ao texto:

    A infraestrutura de pontes e viadutos no Brasil enfrenta uma crise iminente, com sérias implicações para a segurança, a mobilidade e a economia. A maior parte dessas estruturas foi construída entre as décadas de 1950 e 1970, baseadas em padrões de cargas móveis que já não atendem às demandas atuais do tráfego. Este artigo apresenta um panorama detalhado da gravidade do problema e propõe soluções de curto, médio e longo prazos, com foco no papel essencial do DNIT (Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes) e dos DERs (Departamentos Estaduais de Estradas de Rodagem).

    As pontes e viadutos no Brasil foram, em sua maioria, dimensionadas com base nos trens tipo TB-24 e TB-36, que prevêm cargas de até 24 e 36 toneladas, respectivamente, que estão abaixo das necessidades impostas pelo tráfego atual, que exige estruturas capazes de suportar o trem-tipo TB-45, com capacidade para até 45 toneladas. Estima-se que a maioria das pontes e viadutos no Brasil ainda seguem os padrões de carga do TB-24 e TB-36, o que agrava o risco de falhas estruturais e colapsos. As causas dessa deterioração incluem, principalmente, o envelhecimento das estruturas, a sobrecarga de tráfego – especialmente de caminhões pesados como os bitrens, que transportam até 74 toneladas, ainda que dentro do limite de peso por eixo – e a falta de manutenção preventiva. Além disso, a falta de recursos financeiros para realizar reparos e melhorias é um desafio persistente, particularmente em estados com vastas malhas rodoviárias, como Minas Gerais e São Paulo.

    A sobrecarga das pontes e viadutos ocorre devido ao tráfego de veículos muito mais pesados do que o previsto originalmente. O Brasil passou por uma transformação no transporte rodoviário, e estruturas dimensionadas para o tráfego leve dos anos 60 não foram adaptadas para a realidade de hoje. Além disso, a falta de um programa de manutenção contínua resulta no agravamento dos problemas estruturais. As consequências são claras: riscos à vida humana, paralisações do tráfego em rodovias e aumento dos custos logísticos. A manutenção emergencial, que deveria ser exceção, tornou-se a regra em muitas regiões, com custos que podem variar entre R$ 2 milhões e R$ 5 milhões por ponte. Esses valores, que são muito superiores aos de uma manutenção preventiva adequada, pressionam ainda mais os cofres públicos e geram sérios prejuízos.

    Para enfrentar a deterioração das pontes e viadutos, e mitigar os impactos, é necessária uma abordagem estratégica, envolvendo ações imediatas e planejamentos de médio e longo prazos. As principais diretrizes incluem:

    No curto prazo, é essencial intensificar as inspeções em todas as estruturas rodoviárias críticas. O uso de tecnologias como drones e sensores de vibração para monitorar em tempo real as condições das pontes pode evitar colapsos inesperados e direcionar recursos para as áreas mais críticas. O DNIT, em conjunto com os DERs, deve liderar esse processo, realizando uma varredura nacional das estruturas mais vulneráveis.

    Além disso, para evitar acidentes graves, as pontes em pior estado devem receber manutenção emergencial imediata. Programas de emergência precisam ser financiados pelo governo federal, via PAC (Programa de Aceleração do Crescimento), e coordenados pelo DNIT, garantindo que as rodovias mais movimentadas e com maior fluxo de cargas sejam rapidamente recuperadas. É fundamental, ampliar o uso de concessões rodoviárias e PPPs para atrair investimentos privados na manutenção e operação das rodovias. Estados como São Paulo já avançaram nessa área, utilizando concessões para garantir a manutenção constante de suas infraestruturas.

    No médio prazo, as pontes e viadutos projetados para trem-tipo TB-24 e TB-36 devem ser reforçados ou substituídos por novas estruturas dimensionadas para o padrão TB-45. Esse processo é caro, mas fundamental para garantir a segurança e a durabilidade das rodovias.

    O Ministério dos Transportes  deve liderar esforços de financiamento, com suporte de linhas de crédito do BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social) e de organismos internacionais, como o Banco Mundial, o BID (Banco Interamericano de Desenvolvimento) e o NBD (Novo Banco de Desenvolvimento). As normas de construção de pontes e viadutos precisam ser revisadas regularmente, para que estejam alinhadas com as necessidades atuais do tráfego rodoviário e com o aumento do volume de cargas. A modernização das normas permitirá a construção de estruturas mais duráveis e seguras.

    Além disso, é crucial criar programas de capacitação para engenheiros e técnicos responsáveis pela manutenção da infraestrutura rodoviária. O uso de novas tecnologias de monitoramento e gestão de projetos deve ser incentivado para antecipar problemas e otimizar recursos. As principais Universidades, Institutos Federais e entidades como o Clube de Engenharia devem ser parceiras na elaboração e execução desses programas.

    No longo prazo, a principal solução estrutural para o problema é criar fontes de financiamento contínuas para a manutenção da infraestrutura. Modelos como a cobrança de pedágios eletrônicos ou o aumento de impostos sobre combustíveis, similares aos adotados nos Estados Unidos, podem ser estudados. Além disso, o DNIT pode promover a criação de fundos específicos para a infraestrutura, garantindo a sustentabilidade dos investimentos. O planejamento de novas pontes e viadutos deve levar em conta as mudanças climáticas e a crescente demanda do transporte rodoviário. Estruturas mais resilientes, capazes de suportar eventos extremos como enchentes e cargas pesadas, são fundamentais para garantir a longevidade da malha rodoviária. Lembrar que um dos fatores principais para projeto de pontes é o estudo hidrológico, que estima máximas cheias centenárias.

    Finalmente, o uso de inteligência artificial e big data para prever falhas estruturais pode ser um divisor de águas na manutenção de pontes e viadutos. O DNIT, em parceria com universidades e centros de pesquisa, deve investir em estudos e projetos que utilizem essas tecnologias para garantir que a infraestrutura rodoviária seja constantemente monitorada.

    Em resumo, a situação das pontes e viadutos no Brasil é crítica e exige uma resposta rápida e coordenada. O DNIT e os DERs desempenham um papel central na coordenação dos esforços de manutenção e modernização dessas estruturas. A adoção de tecnologias avançadas, a ampliação de parcerias público-privadas e o desenvolvimento de novas fontes de financiamento são passos essenciais para garantir a segurança da população e a eficiência logística do país. Sem uma abordagem integrada e estratégica, o Brasil continuará enfrentando os riscos de colapsos e paralisações em sua infraestrutura rodoviária. Por isso, julgo fundamental a criação de uma linha de investimentos via PAC, priorizando os segmentos rodoviários mistos (federal-estadual-municipal), com tráfego expressivo de caminhões pesados.

    *José Augusto Valente é membro da Divisão Técnica de Transporte e Logística do Clube de Engenharia. Foi secretário de Política Nacional de Transportes e Presidente do DER-RJ.

  • Rio de Janeiro Lidera Roubo de Cargas em 2024

    Como um todo, Região Sudeste (89,5%) também ficou em primeiro lugar

    Monitor Mercantil

    Pela primeira vez desde janeiro de 2022, o relatório “Análise de Roubo de Cargas” da Nstech indica que o Estado do Rio de Janeiro assumiu a liderança no índice de sinistralidade, ultrapassando São Paulo, que, até então, era o polo mais crítico. Os dados indicam que, entre julho e setembro de 2024, as viagens em estradas do Rio representaram 45,8% do total de prejuízos com roubo de cargas, contra 12,7% no mesmo período do ano anterior. Entre os carregamentos mais visados, estão os fracionados (60,4%), higiene e limpeza (19,1%) e alimentício (13,1%). Os municípios mais críticos foram a capital com 59% de incidência, Paracambi 11% e Japeri 9,2%.

    No trimestre analisado pelo levantamento, a Região Sudeste concentrou 89,5% dos prejuízos com carga roubada, contra 83,6% no mesmo período do ano anterior. No entanto, São Paulo e Minas Gerais, que acompanham o Rio de Janeiro na liderança do volume de sinistros na região, registraram queda na incidência ao longo de 2024: São Paulo apresentou redução de 42,1% para 36,6% e, em Minas Gerais, o decréscimo foi acentuado: de 26,7% para 7,1%.

    Por região, o Nordeste manteve-se em segundo lugar na comparação, com queda no percentual de prejuízo de 9,2% para 7,5%. O Sul foi o terceiro lugar mais crítico, mas, mesmo assim, registrou queda de 3,5 p.p. em relação ao terceiro trimestre de 2023.

    A respeito dos estados, após o ranking Rio-São Paulo-Minas, aparece a Bahia, com percentual de prejuízos em 2,5%. Na sequência estão o Ceará e o Paraná, ambos com 1,6%.

    No Rio de Janeiro, as tardes (44%) foram os horários mais vulneráveis para roubos, seguidos pelas madrugadas (24,3%), enquanto terça-feira (24,8%) e quarta-feira (23,8%) foram os dias mais perigosos.

    Em São Paulo, 30% dos prejuízos causados ocorreram à noite (31,7%), seguido pelas madrugadas (27,2%). Segunda-feira foi o dia da semana mais crítico com 44,5% dos prejuízos.

    Já em Minas Gerais, o intervalo mais sensível do dia foi a madrugada, com 72,1% dos sinistros. 85% dos prejuízos se concentraram nas segundas e quartas-feiras no estado.

    O mesmo dado a nível nacional indica que as segundas-feiras somaram um quarto do valor dos prejuízos, ligeiramente à frente das quartas-feiras, que corresponderam a 21,8% do total. Os roubos nas madrugadas obtiveram crescimento em relação ao mesmo período do ano anterior, somando 32,2% contra 21,7% dos prejuízos. As tardes, que em 2023 representaram 16,9% dos problemas, saltaram para 29,1% do total sinistrado neste ano.

    Assim como no Rio de Janeiro, em São Paulo, as cargas fracionadas foram novamente as mais afetadas, com 52,1% do prejuízo total, à frente de alimentos (27,2%) e eletrônicos (5,6%).

    Já em Minas, os fracionados se mantiveram na liderança (77,5% no 3T24 e 53,5% no 3T23), o que chamou a atenção neste ano foram as consequências com roubos a defensivos agrícolas (19,4%), lugar ocupado em 2023 pelos gêneros alimentícios.

    Em São Paulo, os trechos urbanos não foram os recordistas desta vez. A SP-330 foi a mais sensível, somando 40,4% dos prejuízos registrados no Estado no terceiro trimestre de 2024. Em 2023, os trechos urbanos representaram 16% do prejuízo e, entre as rodovias, a sinistralidade foi maior na SP-348 (8,5%), ligeiramente à frente da SP-234 e da BR-116.

    Em nível nacional, as cargas fracionadas continuam sendo o principal alvo das quadrilhas de roubo. No terceiro trimestre, representaram 56,3% dos sinistros e, no mesmo período de 2023, 53,1%. O gênero alimentício vem logo seguida, com 22,3% do prejuízo apurado no período.

    Em Minas Gerais, a rodovia BR-281 registrou mais da metade dos sinistros (52,1%). Em 2023, as líderes em sinistralidade foram a BR-381 (38,5%) e a BR-393 (18,2%). Os trechos urbanos representaram apenas 2,6% dos prejuízos no terceiro trimestre de 2023 no Estado.

    Na comparação nacional, no terceiro trimestre de 2024, as áreas urbanas foram as mais vulneráveis com 40% do valor sinistrado. Líder na soma de prejuízos por roubo de cargas durante o terceiro trimestre de 2024, a SP-330 correspondeu a 14,8% do valor em sinistros, seguida pela BR-116 (12,9%) e BR-101 (5,6%).

  • Setor ferroviário de passageiros ganha incentivo e demonstra reação

    Recorde na movimentação metroferroviária de cargas reforça a importância da inspeção acreditada de infraestrutura

    Monitor Mercantil

    Depois de amargar um período muito negativo, o setor ferroviário de passageiros começou 2024 com uma perspectiva mais positiva. A produção em 2024 foi de 228 carros, enquanto a previsão para 2025 é de mais 188 unidades.

    A mudança do perfil do setor, explica o primeiro-vice-presidente Sindicato Interestadual da Indústria de Materiais e Equipamentos Ferroviários e Rodoviários (Simefre), Massimo Giavina, passa pelo apoio político em nível federal, e em particular, pelo governo do Estado de São Paulo.

    No âmbito federal, o grande incentivo veio através da criação, no dia 19 de junho, da Frente Parlamentar para o Fortalecimento da Indústria Ferroviária Brasileira, que é presidida pelo deputado Pedro Uczai (PT-SC).

    Segundo Giavina, ela permitirá que o setor tenha um apoio do legislativo na realização de leis e na atuação junto ao Governo Federal, para que o setor metroferroviário seja considerado, não só estratégico para o Brasil, mas também no atendimento do bem-estar da população nas grandes cidades.

    Dentre as medidas que estão permitindo a retomada do setor, Giavina ressalta que foram licitadas e assinadas as concessões do Trem Intercidades (TIC – São Paulo/Campinas); a linha 7 do Metrô de São Paulo; a concessão do Metrô de Belo Horizonte; a resolução do impasse do VLT de Mato Grosso com a venda dos equipamentos para o VLT de Salvador e a sua consequente retomada, com a rescisão do Contrato do Monotrilho com o BYD; o lançamento, pela Prefeitura de São Paulo, do primeiro projeto de VLT no centro da cidade.

    O Simefre e a Associação Brasileira da Indústria Ferroviária (Abifer), junto com outras entidades de São Paulo, propuseram uma linha de VLT (Mandaqui/Barra Funda), o que certamente iria de encontro ao Programa de Mobilidade Urbana de Parceria e Investimento (PPI-SP), lançada pelo governo do Estado de São Paulo.

    O programa prevê a realização de 11 projetos nos próximos cinco anos, com investimento estimados em R$ 215 bilhões.

    “Por outro lado, existe um grande déficit nos sistemas do Metrô e CPTM. Serão necessários elevados investimentos para a evolução dos mesmos.” A indústria brasileira possui instalações que permitem atender à fabricação de 1200 carros e sistemas fixos, explica. No entanto, o grande problema é preparar mão de obra para acompanhar a evolução dessa indústria, que atualmente está bastante deficitária. Em função disto, o Simefre solicitou ao Sesi e Senai apoio na formação técnica.

    As perspectivas para 2025 são bastante otimistas, com elevação dos faturamentos, graças ao PPI-SP e ao PAC do Governo Federal e ao BNDES, que deu prioridade ao setor de VLT. O vice-presidente do Simefre diz que existem identificados 50 projetos para a mobilidade urbana. “Além disso teremos a extensão do VLT de Santos; VLT de Brasília – W3 e, no Paraná o trem vermelho e o VLT de São José dos Pinhais.”

    Apesar do otimismo, Giavina chama atenção para as ameaças que estão surgindo, devido às isenções de impostos Federais para a importação de fornecedores estrangeiros, sem extensão para os contratos brasileiros. “Os impostos de importação são bem abaixo dos valores atribuídos aos outros setores do Simefre que são da ordem de 30/35%, enquanto o setor ferroviário é em torno de 11,5%.”

    A projeção para os próximos 20 anos é de encomendas da ordem de 70 bilhões de reais, sendo 23 bilhões para exportação. “Somente uma indústria está com encomendas no Brasil para as linhas 8, 9 e 6 para o Metrô de São Paulo e, no exterior, fornecimento para Taiwan e Bucareste. E ainda temos uma previsão de substituição do BRT no Rio de Janeiro por um modal com maior capacidade, como o VLT.”

    Já a movimentação de cargas por ferrovias no Brasil atingiu, em 2023, o maior nível dos últimos cinco anos, com o transporte de 530,6 milhões de toneladas úteis, conforme dados da Associação Nacional dos Transportadores Ferroviários (ANTF). Paralelamente, os sistemas metroferroviários brasileiros transportaram 1,25 bilhão de pessoas nos primeiros seis meses de 2024, um aumento de 4,4% em relação ao mesmo período do ano passado, conforme dados da Associação Nacional de Transportadores de Passageiros sobre Trilhos (ANPTrilhos). Esses números destacam o papel estratégico do transporte metroferroviário para a economia e reforçam a importância das inspeções técnicas acreditadas para garantir eficiência e segurança neste setor.

    A atividade de inspeção acreditada é o mecanismo pelo qual um Organismo de Inspeção (OIA), reconhecido pela Coordenação Geral de Acreditação (CGCRE) do Instituto Nacional de Metrologia, Qualidade e Tecnologia (Inmetro), verifica se um empreendimento de infraestrutura está em conformidade com normas, diretrizes e regulamentos previamente estabelecidos. Este mecanismo se aplica a qualquer área da infraestrutura, como ferrovias, rodovias, portos, aeroportos, energia, habitação e outros.

    A inspeção acreditada abrange todas as etapas da infraestrutura de um empreendimento metroferroviário, desde sua concepção até a operação e manutenção. Além de melhorar a infraestrutura, a inspeção acreditada atua na segurança operacional e na prevenção de acidentes, assegurando que a infraestrutura implantada atenda aos requisitos estabelecidos e seja mantida de forma segura e ambientalmente correta.

    A Associação Brasileira de Avaliação da Conformidade (Abrac) destaca o papel essencial da inspeção acreditada para o desenvolvimento do setor metroferroviário no Brasil.

    “O transporte metroferroviário é um motor para o desenvolvimento econômico e social do país, e a inspeção acreditada permite assegurar que esse potencial seja realizado com conformidade e eficiência, além de segurança técnica e jurídica”, aponta Jefferson Carvalho, vice-presidente de Inspeções da entidade.