O governo vai reformular o modelo de financiamento público oferecido às empresas que disputarão a concorrência para a construção do trem-bala – linha férrea de 511 quilômetros que ligará São Paulo ao Rio de Janeiro.

Originalmente, estava previsto que o BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social) financiaria 60% dos R$ 34,6 bilhões previstos pelo governo federal na construção do TAV (Trem de Alta Velocidade).

O resto do dinheiro deveria vir de financiamento privado e de um capital próprio inicial, dos quais R$ 3,3 bilhões seriam investidos pelo governo –cerca de R$ 2,2 bi para desapropriações e outro R$ 1,1 bi através de uma empresa pública operadora– e os outros R$ 7 bilhões do consórcio que vencesse a licitação para construir e operar o trem.

O BNDES, originalmente incumbido de conceder um empréstimo no valor de R$ 20 bilhões, será, pelo novo modelo, um mero repassador de recursos. O governo, por meio do Tesouro, assumirá o financiamento.


Não importa se o Tesouro financiará parte ou toda a obra. Ela é muito mais de interesse público do que de interesse privado.

Essa ligação é estratégica por vários motivos e tem que ser realizada, no período mais breve possível.

De preferência com a tecnologia de levitação magnética (foto), que é a menos poluente, e de menor custo operacional, além de menor custo de construção da via permanente, porque permite rampas mais acentuadas do que as demais e pode utilizar a pista central da Dutra para implantação da via.

O principal motivo para essa obra é o da redução significativa de emissão de poluentes, devido à substituição de viagens da ponte aérea pelo trem de alta velocidade (TAV), como já ocorre na Europa. Com esse trem, a ponte aérea será reduzida a zero e esse é o motivo pelo qual as empresas aéreas

Se compararmos o benefício decorrente da redução a quase zero da poluição da ponte aérea, em trinta anos, com o custo da implantação do TAV, constataremos que os bilhões dispendidos pelo Tesouro terão valido muito a pena.

O outro aspecto importante é retomar o transporte de passageiros por ferrovia, que foi praticamente eliminado pelo governo Fernando Henrique, no bojo do processo de privatização da malha ferroviária brasileira.

Existem vários projetos de retomada do transporte regional de passageiros, utilizando em grande parte a malha existente e funcionando nas janelas das operações de carga.

O BNDES tem uma linha de financiamento para esse projeto e alguns estudos de viabilidade mostram que esse é um caminho a trilhar (desculpe o trocadilho). Transporte ferroviário de passageiros reduz viagens de avião (alta velocidade), de ônibus e de automóvel (regionais).

Significa menos volume de tráfego nas rodovias, menos poluição, menos acidentes e menor necessidade de investimentos em manutenção e em aumento de capacidade das rodovias.

Espero viver o suficiente para ver tudo isso funcionando!

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3 respostas a “Tesouro vai bancar obra do trem-bala Rio – SP – Campinas”

  1. Avatar de Serginho

    Oi Valente!

    Valeu pela atualização. Acho que faltou um pedaço do texto na parte das empresas aéreas. De qualquer forma, eu sou um fã do transporte ferroviário.

    Abs,

    Serginho

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  2. Avatar de Vilmar

    Olvida-te Valente.Estas obras irão demorar não por falta de vontade do governo,mas pela burocracia que atropela nosso progresso.

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  3. Avatar de Rodrigo

    Fico triste em ver um especialista em transportes fazer afirmações como: “com esse trem, a ponte aérea será reduzida a zero” e “outro aspecto importante é retomar o transporte de passageiros por ferrovia, que foi praticamente eliminado pelo governo Fernando Henrique…”. Sabemos que um modal não substitui completamente o outro, e até parece que o transporte de passageiros por ferrovia foi significativo na matriz brasileira a partir da segunda metade do século passado… Também sou a favor do transporte ferroviário, mas creio que afirmações como as citadas prejudicam a credibilidade da matéria.

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