A cada safra, a sojicultura, principal atividade econômica do Estado perde R$ 1 bilhão devido à precária logística de escoamento de Mato Grosso.

Logística leia-se falta de estradas adequadas e também o próprio sistema de carregamento e transbordo do produto. São divisas que deixam de circular no bolso dos produtores e que se evadem da economia estadual, cujo desempenho é diretamente atrelado à performance do campo.

Consideradas como um problema aparentemente sem solução, só as perdas no transporte do grão representam estatísticas consideráveis e um tanto quanto assustadoras. Das cerca de 17 milhões de toneladas de soja que Mato Grosso produz anualmente estima-se que 0,3% se perdem, ou seja, 51 mil toneladas do grão ficam às margens das rodovias.

Segundo cálculos da Central de Comercialização de Grãos (CentroGrãos), da Federação da Agricultura e Pecuária de Mato Grosso (Famato), significa um prejuízo de US$ 19 milhões por ano para o setor.


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A matéria faz uma grande confusão de números e não acreditamos que os especialistas mencionados tenham dito exatamente o que lá está escrito, dado o caráter inverossível do texto.

1. O título da matéria diz que o estado do Mato Grosso perde R$ 1 bi com estradas ruins. No quarto parágrafo, entretanto, a matéria explica que são apenas US$ 19 milhões por ano, para o setor.

Então, se é isso, com o dólar a R$ 1,90, o custo das perdas é de R$ 36,1 milhões, ou seja, apenas 0,3% de R$ 1 bilhão. Aliás, é o que a matéria diz no terceiro parágrafo.

2. O motivo dessa perdas, para quem conhece aquela região, pode ser a rodovia que não está impecável – senão a perda seria de 0,1% ao invés de 0,3% – mas, também, perda no carregamento e no tombamento da soja, do caminhão no terminal portuário de Porto Velho (imagem acima) ou de Santarém. Como eu conheço um pouco aquilo lá, acho que as perdas no tombamento são maiores ou iguais às perdas nos calombos das estradas. Que não ocorreriam se os caminhões confinassem a soja de forma mais eficiente.

3. A matéria coloca na boca de especialistas o discurso recorrente das “péssimas condições das estradas”. O que a matéria não diz, explicitamente, é quem é o responsável por essas condições, ainda que localizadas, considerando que todo o trecho da BR-364, por exemplo, tem contrato de conservação. Entretanto, lá no último parágrafo, está escrito:

Entre as BRs 163 e 364, os dois principais eixos rodoviários do momento em Mato Grosso, passam aproximadamente 10 mil caminhões por dia, numa rodovia que foi projetada para suportar a metade desse volume. Sendo que um terço dessa frota de caminhões tem mais de sete eixos, cada um deles com peso de dez toneladas – a pista que foi construída para suportar seis toneladas. E as perdas se sucedem ai.

a) Não passam 10 mil caminhões/dia nas BR-163 e 364!

Se assim fosse, como cada caminhão bi-trem transporta (legalmente) 47 toneladas, se considerarmos apenas 150 dias/ano, teríamos 150 x 47 x 10.000 = 70,5 milhões de toneladas de soja transportadas. Segundo a matéria, somente do Estado do Mato Grosso, que é o principal mas não o único produtor no Brasil.

Esses números irreais, mencionados na matéria, representam 17,5% a mais de toda a produção prevista, no país, para 2008/2009, pela CONAB, que é de 60 milhões.

b) A matéria confessa o verdadeiro motivo de deterioração das rodovias da soja, além das chuvas: o excesso de peso por eixo do caminhão. O caminhão referido, de 7 eixos, o bi-trem, tem o limite legal de carga de 57 toneladas. Mas a matéria diz, corretamente, que eles transportam 70 toneladas.

Ou seja, quando se aumenta o peso por eixo, das 8 toneladas permitidas para 10, estudos do IPR/DNIT já demonstraram que se reduz a menos da metade o tempo de vida útil da rodovia.

A matéria, querendo jogar a responsabilidade para os outros, terminou por apontar quem são os verdadeiros culpados pela deterioração acelerada das rodovias por onde circulam a soja e outros grãos: aqueles (não todos) os embarcadores e os transportadores que forçam ou aceitam cometer a ilegalidade do sobre-peso por eixo!

4. A pesquisa rodoviária da CNT, que está sendo processada, e deverá ser divulgada em breve, mostrará que a situação dos pavimentos e da sinalização das rodovias brasileiras é de boa para ótima, com algumas exceções localizadas, estas em rodovias de baixo volume de tráfego. O que desmontará, de vez, o discurso fácil das estradas em condições precárias.

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Na minha opinião, poderia ser uma matéria interessante, se tratasse destes aspectos aqui mencionados, mas se perdeu num cipoal de números e em opiniões interessadas, que não ajudam a entender e a processar o problema de forma eficaz.

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Uma resposta a “Mato Grosso perde R$ 1 bi na economia com estradas ruins (será mesmo?)”

  1. Avatar de Dri Viaro

    Oi, estou conhecendo seu blog, e quero lhe desejar uma boa semana.
    bjsss

    aguardo sua visita 🙂

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