Este é o título de um longo artigo, de minha autoria, publicado na Revista Custo Brasil.
Muito tem se falado em caos e apagão logístico, a partir de 2003. A linha desse tipo de discurso, predominante nos veículos de comunicação, é de que as infra-estruturas rodoviárias, ferroviárias, aeroviárias e portuárias estão em situação precária e isso impedirá o crescimento da economia brasileira, nos padrões dos demais países do BRIC (Brasil, Rússia, Índia e China). Trata-se de apontar, enfaticamente, onde estão os principais gargalos logísticos: rodovias esburacadas; ferrovias com traçados do século XIX – bitola estreita, curvas de raios pequenos e rampas elevadas – e com muitos obstáculos nas travessias urbanas; sistema aeroportuário com pouca capacidade para cargas e passageiros e sistema de controle aéreo obsoleto; e, portos com baixa eficiência, provocando filas de caminhões, elevados tempos de carga e descarga, bem como onerosos tempos de espera para as embarcações, calado insuficiente e limitações de retro-área para contêineres e de berços de atracação.
A partir de 2002, a corrente de comércio exterior quase triplicou, passando de cerca de US$ 100 bilhões em 2002 para cerca de US$ 280 bilhões em 2007. A quantidade de contêineres (cargas de maior valor agregado) aumentou 2,5 vezes, passando de cerca de dois milhões, em 2002, para cerca de cinco milhões, em 2007. Essas cargas chegaram aos portos, em grande parte, através de caminhões e trens. Se houve esse crescimento, em apenas cinco anos, significa que as exportações e importações fluiram e tinham custos logísticos suficientemente baixos para se tornarem competitivos e atraentes, respectivamente, ainda que possam ser menores, no futuro.
Dado esse quadro, a seguinte pergunta precisa ser respondida: como poderia o comércio exterior e a movimentação de contêineres terem crescido tanto se o Brasil tinha tantos gargalos e esteve, todo esse tempo, à beira de um apagão logístico? Das duas uma: ou não há correlação alguma entre crescimento econômico e infra-estrutura de transportes ou o discurso predominante na mídia era falso. É o que se tentará mostrar neste artigo: existe correlação entre crescimento e infra-estrutura de transportes e o discurso predominante não tinha fundamentação em fatos e números. Isso quanto ao passado.
Leia o texto completo na Revista Custo Brasil
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