
Após três meses consecutivos de queda, as vendas do comércio varejista brasileiro deram sinais de recuperação em janeiro, segundo dados divulgados nesta sexta-feira (13) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).
Frente ao resultado de dezembro de 2008, as vendas cresceram 1,4%, enquanto a receita nominal do setor teve alta de 2,1%.
Na comparação com o mês de janeiro de 2008, o volume de vendas cresceu 6,0%, enquanto a receita aumentou 11,9%.
Nos últimos doze meses, volume e receita acumularam crescimento de 8,7% e 14,7%, respectivamente.
Com alta de 11,1% nas vendas frente a dezembro, o setor de veículos e motos, partes e peças foi destaque.
Das dez atividades pesquisadas, outras seis também tiveram alta: livros, jornais, revistas e papelaria (7,6%); móveis e eletrodomésticos (7,1%); outros artigos de uso pessoal e doméstico (5,8%); tecidos, vestuário e calçados (2,2%); artigos farmacêuticos, médicos, ortopédicos, de perfumaria e cosméticos (0,8%); e hipermercados, supermercados, produtos alimentícios, bebidas e fumo (0,3%).
Dois destaques importantes:
a) Na comparação com o mês de janeiro de 2008, o volume de vendas cresceu 6,0%, enquanto a receita aumentou 11,9%, ou seja, o crescimento não se deu apenas em cima de números ruins em dezembro, mas sim em relação à janeiro de 2008, sendo que o percentual de aumento da receita foi o dobro do das vendas, indicando possibilidade de maior ganho por volume para os produtores;
b) Os itens que apresentaram maior alta são itens de consumo de massa, o que mostra uma razoável vitalidade econômica em época de crise.
Alguns comentaristas procuram minimizar esses indicadores dizendo que eles são fruto de liquidações de produtos encalhados em dezembro, insinuando que, em fevereiro, a economia voltará a desacelerar.
Importante também ligar esta informação com outra, veiculada aqui neste Blog, que mostra o crescimento do movimento de caminhões nas rodovias concedidas, lembrando que Rio, Minas, São Paulo, Paraná, Santa Catarina e Rio Grande do Sul são os estados que concentram quase toda a malha rodoviária concedida no país. São também os estados-locomotiva da produção industrial brasileira.
Se esses dois indicadores continuarem crescentes em fevereiro, será uma demonstração de que a economia brasileira está razoavelmente blindada – especialmente com as medidas do governo federal e de alguns estaduais – contra o tsunami da crise financeira internacional, com epicentro nos EUA.
Neste caso, não sei qual será a desculpa que os comentaristas econômicos de oposição ao governo federal darão para explicar tal elevação.
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