Estou de volta ao blog, depois de um breve período de férias, em que percorri (dirigindo o meu carro) 7.500 quilômetros de estrada, desde as de maior volume de tráfego às menores.


Nas rodovias federais que percorri, mesmo aquelas que foram estadualizadas em 2002 – com repasse de recursos para os estados, que até agora não foram devolvidos à União – estão em boas ou ótimas condições, com sinalização horizontal e vertical impecável.
A exceção é para um trecho de 50 quilômetros da BR-040, entre Felixlândia e Sete Lagoas, em Minas Gerais, que está um lixo, ainda que serviços de tapa-buracos estejam em andamento, fato verificado no dia 16 de janeiro.

Outra surpresa agradável foi constatar as excelentes ou boas condições das rodovias estaduais e acessos a cidades, nos estados de Santa Catarina (oeste), Paraná (oeste e norte, até a entrada em São Paulo, via Ourinhos) e Minas Gerais (sul, no entorno da Fernão Dias).

A grande decepção foi encontrar algumas rodovias estaduais de São Paulo – à exceção das pedagiadas – em péssimas condições de circulação, com buracos, irregularidades no pavimento da pista e do acostamento, além de sinalização precária e ausência de terceiras-faixas em segmentos críticos. 

Falo especificamente das rodovias que dão acesso à Castelo Branco, a partir de Ourinhos, e das demais paralelas ou alimentadoras desta, até a chegada à Fernão Dias, em Mairiporã..

A decepção decorre do fato de que não tem cabimento que isso ocorra em São Paulo, por três motivos:

a) O orçamento do Governo do Estado de São Paulo é o segundo maior do país, só perdendo para o Orçamento da União;

b) O Governo do Estado de São Paulo recebe, anualmente, desde 2002, cerca de R$ 400 milhões de repasse da CIDE, exclusivamente para aplicação nas rodovias estaduais;

c) As concessões existentes nas rodovias estaduais paulistas são todas onerosas, o que significa que as concessionárias destinam centenas de milhões, anualmente, para os cofres do Estado. O que pouca gente sabe é que existe uma lei em São Paulo, criada para essa situação, que destina os recursos provenientes da outorga para o DER-SP, visando à aplicação destes na restauração, manutenção e ampliação de capacidade das rodovias estaduais.

Portanto, não há explicação lógica para o abandono das rodovias estaduais que percorri, todas com volumes razoáveis de caminhões e automóveis: SP-327 e SP-225, entre Ourinhos e o início da Castelo Branco; SP-147, entre a Mal. Rondon e a Castelo Branco, passando por Bofete; SP-141, entre Bofete e Porangaba (intransitável); as estaduais entre Laranjal Paulista e Elias Fausto e as estaduais no entorno de Francisco Morato e Franco da Rocha. Mesmo a Mal. Rondon, no trecho entre Botucatu e Laranjal Paulista não está à altura do volume de tráfego observado, sendo muito perigosa.

Gostaria de sugerir à CNT – que não fez a pesquisa rodoviária nacional em 2008 e não sei se fará neste ano de 2009 – que fizesse uma especial sobre as rodovias estaduais paulistas. Mas que excluísse as concedidas, que sabidamente estão em ótimas condições e distorcem o resultado global no estado, dando a impressão de que está tudo bem.

Seria um bom serviço prestado aos usuários que pagam os maiores pedágios do país.

Complemento

As rodovias federais que percorri: BR-040 (Brasília-Rio); BR-101/RJ (Rio-acesso à RJ 124, para Cabo Frio); BR-116 (Rio-São Paulo-Curitiba); BR-476 (Curitiba-União da Vitória/PR); BR-153 (União da Vitória-entr. BR-282); BR-282/SC (até São Miguel do Oeste); BR-163/SC (São Miguel do Oeste à Dionísio Cerqueira; BR-369/PR (Cascavel-Campo Mourão); BR-376/PR (Maringá-Mandaguari); BR-369/PR (Arapongas-Londrina-Divisa PR/SP); BR-381 (São Paulo-Belo Horizonte); BR-267/MG (entr. BR-381-Campanha-Cambuquira-acesso a Lambari); BR-491/MG (Alfenas-Varginha-entr. BR-381).

Os dois trechos repetidos foram a BR-101, no Rio de Janeiro, e a BR-040, entre Sete Lagoas/MG e Brasília.

As rodovias estaduais percorridas foram inúmeras. Todas estão relacionadas a essas federais.

***

Descubra mais sobre Mobilidade, Logistica e Transportes

Assine para receber nossas notícias mais recentes por e-mail.

Posted in

2 respostas a “A volta das férias e as condições das rodovias”

  1. Avatar de Sergio Telles

    Nossa que viagem fantástica! Parabéns!Ficam 4 perguntas:1) Qual estrada pedagiada você mais gostou?2) Qual estrada não-pedagiada você mais gostou?3) Qual cidade você achou com melhor conservação das vias locais (ruas, avenidas, etc)?4) Qual cidade você mais gostou do ponto de vista turístico?Abraços!

    Curtir

  2. Avatar de Humberto

    Ola José Augusto,Parabéns pelo blog! Quanto ao assunto tratado gostaria de dar uma pequena contribuição. Viajei de São Paulo Capital até Palmas, capital do Tocantins, de onde fui visitar a região do Jalapão. A impressão que tive das estradas corrobora com sua análise. As estradas pedagiadas de São Paulo estão excelentes, mas o custo de andar por elas é absurdo. Pegamos a Bandeirante, a Nova Bandeirates, a Washigton Luís e entramos em Matão onde pegamos a Faria Lima até Barretos. Este trecho é todo pedagiado e gastamos exatos 111,12 somados ida e volta. Em Barretos acaba o trecho duplicado e a estrada que vai até a divisa com Minas Gerais (Frutal e Planura) está muito ruim de dirigir, embora a velocidade máxima seja de 110 km/h, não tem acostamento asfaltado, apesar do tráfego intenso de caminhões e possuir muitos buracos. A BR 153 depois da divisa está boa até certo trecho, mas está ruim até o trevo que vai para Uberaba. Daí até Palmas a estrada está quase totalmente duplicada até Anápolis (GO) e os trecho não duplicado estão na maioria bons. As estradas estaduais do tocantis também estão execelentes. E em nada disso se paga pedágio. Na volta revoltado com o valor do pedágio indaquei a um atendente do pedágio da Bandeirantes qual o salário que eles recebem, fiquei chocado: 600 reias mensais por 8 horas de trabalho diárias. Fiquei imaginando o custo do trasporte por caminhões no estado de São Paulo pois esses veículos pagam por eixo o valor que eu pago pelo carro. Ainda ouço os comentarias da Globo alardearem do custo Brasil quando o problema desse país é o custo São Paulo.Espero ter contribuído. Abraço,Humberto

    Curtir

Deixar mensagem para Sergio Telles Cancelar resposta

Descubra mais sobre Mobilidade, Logistica e Transportes

Assine agora mesmo para continuar lendo e ter acesso ao arquivo completo.

Continue lendo