O caos aéreo que o País viveu no ano passado levou a uma queda de R$ 730 milhões no lucro das empresas TAM e Gol.
Esse é o primeiro parágrafo de matéria da Agência Estado. De volta, o discurso do caos aéreo (que não existiu, como já demonstramos fartamente).
A matéria do Valor Econômico é mais objetiva e em momento algum menciona caos aéreo que, para os leitores com o mínimo de discernimento, deixa o Estadão em má situação.
O que diz o Valor Online?
Explicando os motivos da redução:
TAM: A retração, para R$ 49,8 milhões, foi causada principalmente pelo aumento de 28,5% nos custos e despesas da companhia no período, que chegaram a R$ 2,2 bilhões, segundo os resultados divulgados ontem.
Os maiores aumentos foram com pessoal, arrendamento de aeronaves e outras despesas, que incluem gastos não recorrentes em torno de R$ 40 milhões.
Gol: O resultado deveu-se a uma elevação de 60% nas despesas operacionais, ante crescimento de 47,2% nas receitas.
Na explicação dos resultados da TAM, mas que pode ser estendida aos da Gol, os resultados foram afetados pela aquisição de novas aeronaves, mais pessoal e despesas provenientes do crescimento do mercado, cujo peso somente será absorvido nos futuros balanços anuais.
Quem entende de fluxo de caixa sabe o que é isso.
É tentada, ao final, uma explicação pela redução de voos de e para Congonhas.
Tanto a TAM quanto a Gol foram afetadas pelas restrições impostas em setembro passado no número de pousos e decolagens e na distância permitida dos vôos a partir do aeroporto de Congonhas, principal centro de operações das duas empresas.
A TAM, por exemplo, que no quarto trimestre de 2006 voava 13 horas por dia com seus aviões, viu a média cair para 12,3 horas diárias.
Quer dizer que essa redução de 0,7 horas diárias/aeronave, entre outubro e dezembro de 2007, é que é responsável pelos números? Quer dizer que sem Congonhas a aviação aérea brasileira é inviável economicamente?
Faltou explicar o peso do acirramento da disputa por passageiros, pelas duas empresas, levando a constantes promoções, com reduções significativas das tarifas.
Considerando que há pouco a cortar nas despesas, principalmente quando o mercado está em expansão, é possível que essa competição ainda esteja afetando os resultados das duas.
Em outras palavras, como não houve caos aéreo, mas sim alguns momentos de crise provocados pelo movimento dos controladores de vôo, não há nenhuma correlação daquilo que não existiu com os balanços das duas maiores empresas aéreas brasileiras.
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