Marco Antonio Oliveira Neves
Diretor da Tigerlog Consultoria, Hunting e Treinamento em Logística Ltda

Nos próximos 5 anos testemunharemos o desaparecimento de diversas empresas de transporte rodoviário de cargas no Brasil. Verdadeiros ícones do setor, que hoje faturam entre R$ 100 milhões e R$ 1 bilhão anualmente, simplesmente desaparecerão ou serão adquiridas por Operadores Logísticos norte-americanos, europeus e asiáticos.
Estamos vivendo a terceira e decisiva etapa do processo de amadurecimento do mercado de prestação de serviços de logística e transportes no Brasil.
A primeira etapa, a mais longa até então, transcorreu desde os primórdios do transporte no Brasil nos anos 50, até a metade da década passada, mais precisamente em 1995, quando as empresas, apoiadas em investimentos em ativos operacionais, cresceram e ganharam a importância que têm hoje. Foi uma fase de prosperidade e riqueza, e em alguns casos, de esbanjamento. Muitos dos atuais líderes do setor cresceram dentro dessa realidade, e vem repetindo o mesmo modelo de gestão do passado.
A segunda etapa iniciou em 1995, com o advento do conceito de logística integrada nas empresas e que coincidiu com a estabilização da inflação no Brasil e com uma desaceleração no ritmo de crescimento econômico, em comparação com as décadas de 70 e 80. Esses três fatores criaram uma combinação “explosiva” no tocante à gestão dos custos de transportes, forçando os Embarcadores a otimizar os fretes pagos. A pressão das empresas encontrou “respaldo” no setor de transporte, e os fretes despencaram radicalmente. A queda na receita foi acompanhada por um aumento de custos fixos e variáveis, que reduziu drasticamente os lucros. A chegada dos Operadores Logísticos internacionais e o avanço do modal ferroviário em função dos investimentos realizadas pelas concessionárias do setor, também contribuíram para a queda dos fretes, porém em menor escala.
Esta segunda etapa, que durou 10 anos (portanto até 2005), foi o período em que as Transportadoras deveriam ter se estruturado adequadamente, se preparando para os desafios futuros, previstos nesta fase que estamos vivenciando. Margens de lucratividade ao redor de 20%, anteriormente praticadas, deram lugar a margens mínimas, de no máximo 5%, que inviabilizam um negócio que envolve o emprego de capital intensivo.
Nesta nova fase, que deverá durar ao redor de 10 anos, ocorrerá um equilíbrio natural entre oferta e demanda, independente de ações externas, à custa da falência de centenas e talvez milhares de empresas de transporte de cargas. Apesar das dificuldades, muitas empresas continuarão surgindo e desaparecendo, repetindo o tradicional modelo de gestão, exclusivamente apoiado em ativos.
Vários são os motivos que levarão ao aumento da mortalidade das empresas de transporte no Brasil. Envolvem causas relacionadas à falta de regulamentação do setor, estradas ruins, forte sazonalidade de final de mês, concorrência predatória, desunião no setor, representatividade dos autônomos na frota total, desequilíbrio entre oferta e demanda, mas principalmente, pela incompetência na gestão das empresas, decorrente de erros estratégicos e da falta de uma visão integrada de pessoas, processos e tecnologia.
Ao final desta terceira etapa, prevista para terminar em 2015, restarão os escombros de uma indústria muito mal tratada pelo setor público, pelos seus usuários (Embarcadores), pelos sindicatos e também, pelos seus administradores.
Iniciar-se-á então uma nova era, onde as empresas de transporte terão a sua identidade cultural e empresarial consolidadas, estando perfeitamente adaptadas aos desafios do mercado, operando com a premissa básica de qualquer negócio, a lucratividade.
Infelizmente poucos são os bons exemplos de gestão que presenciamos atualmente, mas aos poucos o mercado começa a enxergá-los. Ainda há tempo de reverter o processo de deterioração das empresas e provavelmente esta seja a última oportunidade. O remédio é amargo, mas ainda existe salvação…

Fonte: Blog OD’HORA SL Soluções Logísticas


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Uma resposta a “A falência do Transporte Rodoviário de Cargas no Brasil”

  1. Avatar de Anonymous
    Anonymous

    Sou novo na área de transportes, praticamente tenho lido tudo que encontro no seu blog, bem como em outros. Mas esse artigo me deixou intrigado, visto que fala de possível falência de empresas não preparadas para o desafio do mercado.Gostaria de ter uma visão mais ampla sobre esse assunto, onde encontrar artigos, livros ou revistas que possam me ajudar.Qual, na sua visão, o modelo ideal de administração? E quais os pontos frágeis de empresas de médio e pequeno porte, talvez grandes, que estejam na mira da falência?Atenciosamente,MAXMILIANOmax@transmania.com.brmaxmilianomsn@msn.com

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