O que mais se lê na imprensa é que “os investimentos em infra-estrutura estão aquém do necessário”.
Normalmente, esse comentário é acompanhado do percentual investimento em relação ao PIB (não se sabe tirado de onde) e a esquisita comparação desse indicador com os de outros países ricos e emergentes.
Insisto que só há uma maneira de saber quais são os investimentos de curto, médio e longo prazo a fazer, especialmente no setor de transportes.
É comparar o que dizem o Plano Nacional de Logística e Transportes – PNLT, do governo federal, e os planos estaduais de igual abrangência, com o que está sendo feito e planejado para os próximos anos por governos e iniciativa privada..
Fazer comparações com outras realidades muito distintas – no tempo e no espaço – da nossa é um erro crasso, que leva a diagnósticos absurdos.
A pergunta que se deveria fazer (mas não se faz), aos que dizem que “os investimentos estão aquém do necessário”, deveria ser a seguinte: quem deveria fazer esses investimentos? O governo federal, os governos estaduais, as prefeituras, a iniciativa privada? A impressão que fica é de que os investimentos são todos do governo federal, não?
Como exemplo, sabe-se que parte dos principais portos brasileiros são da União (Rio, Santos e Vitória, por exemplo), parte de governos estaduais (Paranaguá e Rio Grande), parte de Prefeituras (Itajaí e São Francisco do Sul) e parte exclusivamente da iniciativa privada (Petrobras, Aracruz, Hermasa, Cargill). Logo, cabe a pergunta: quem é responsável pelos investimentos?
É sabido que antes do programa de desestatização de portos e ferrovias a responsabilidade por esses investimentos era totalmente governamental. Mas será que todos sabem que, agora, são das empresas privadas que têm a concessão para exploração/operação desses serviços?
As rodovias de elevado volume de tráfego eram geridas pelos governos federal e estaduais. Será que todos sabem que, agora, são operadas pela iniciativa privada e quem paga pelos investimentos realizados são os usuários, através dos pedágios?
Então, anotem aí, quando alguém falar que “os investimentos estão aquém do necessário” ou que eles “representam apenas 1% do PIB quando nos países ricos é 3%” insista em saber que investimentos são esses, onde devem ser feitos e com base em que estudo a pessoa está se amparando para fazer essa afirmação.
Com certeza ela não saberá responder pois se soubesse não falaria isso.
José Augusto Valente – Diretor Técnico do T1

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