A Central Paranaense Logística (CPL), cooperativa que reúne produtores de etanol do Estado do Paraná e tradings de etanol como a CPA Trading, pretende construir um poliduto ligando a cidade de Maringá ao Porto de Paranaguá. O duto terá 530 quilômetros de extensão e passará pelas cidades de Londrina e Araucária.

Para que novos estudos técnicos e econômicos sejam realizados para a construção do duto, um protocolo de intenções foi assinado, nesta semana, entre a CPL, a Associação dos Produtores de Bioenergia do Paraná (Alcopar) e o governo do Estado do Paraná.

Segundo o presidente da Alcopar, Paulo Zanetti, o projeto está orçado em R$ 1 bilhão e deverá escoar 4 bilhões de litros de etanol produzidos no Estado do Paraná. “O início do poliduto será em Maringá, no noroeste do Estado, onde está concentrada cerca de 80% da produção de cana do Paraná, com destino ao porto de Paranaguá, onde atualmente são escoados cerca de 25% de nossa produção”, disse ele. A expectativa é de que o duto entre em operação na safra 2014/15.

“Neste momento, assinamos um protocolo para que façamos um estudo de levantamento da área e definir o traçado do duto”, disse. Para 2011, espera-se a obtenção das licenças ambientais. “O início da construção está programado para 2012”, disse o executivo.

A CPL – cujos sócios são associados da Alcopar – pretende levantar os recursos por meio de uma parceria estratégica na qual a cooperativa quer conservar o controle. O restante dos recursos virá das associadas da CPL. Além do investimento no poliduto, os produtores também assumiram o compromisso de viabilizá-lo economicamente por meio de contratos fixos de movimentação de etanol por um período de 20 anos.

Logística. Zanetti explica também que, além de ter uma produção expressiva, a região de Maringá foi escolhida como ponto inicial do duto por estar próxima de uma rede de tanques de armazenagem da associada CPA Trading, que será utilizada para captar o produto da região. Os tanques estão localizadas na cidade de Sarandi. “Esses tanques têm ligação com a rede ferroviária e rodoviária, o que vai facilitar a captação do etanol”, disse.

A participação do governo do Estado do Paraná se dará por meio do reconhecimento de incentivos ao setor, para garantir a competitividade do etanol. O governo também participará, em um segundo momento, por meio de suas empresas Copel, que utilizará o duto para a colocação de fibras óticas, e Compagás, que utilizará o duto para transporte de gás natural.

De acordo com a Alcopar, a previsão é que as 30 unidades produtoras de etanol no Estado fechem a safra 2010/11, em andamento, com uma produção de 2 bilhões de litros de etanol, dos quais 500 milhões de litros serão exportados.

O projeto original prevê que, depois de entrar em operação, o poliduto seja ampliado até Cuiabá, em Mato Grosso, passando por Mato Grosso do Sul. Segundo Zanetti, essa ampliação será feita para captar a crescente produção de etanol do Centro-Oeste do País. “Já temos muitos produtores interessados e em negociações avançadas com um grupo de Mato Grosso do Sul”, explica. Neste primeiro momento, uma empresa de engenharia deve ser contratada para iniciar os estudos técnicos, e terá um prazo de quatro meses para definir o traçado do duto.

Estado de S. Paulo

********************

Comentário do Valente:

Por enquanto, só existe a intenção, materializada no protocolo assinado no dia 9/6/10, pelo governador do Paraná Orlando Pessuti, com a COPEL e a Alcopar, para realizar novos estudos técnicos e econômicos, necessários para  passar da intenção ao gesto.

Esse estudo inclui levantamento topográfico e de áreas para desapropriação, bem como reavaliação técnica e econômica. Como são 550 km, esses estudos devem levar, pelo menos, um ano.

Após isso, há necessidade de elaborar projeto executivo e conseguir as licenças ambientais – provisória e de instalação. Podemos colocar mais um ano.

Se tudo correr bem, e se eu não estiver comentendo algum equívoco, as obras poderão ser iniciadas em julho de 2012, como estimado pelo presidente da Alcopar.

Como a meta é que o poliduto entre em operação para a safra 2014/2015, penso que dois anos serão suficientes para as obras de implantação do sistema.

O mais importante disso tudo é que os dutos para movimentação de etanol tiram ou deixam de acrescentar milhares de caminhões nas estradas que, obviamente, não têm vocação para esse tipo de carga.

Os dutos são mais econômicos, seguros, e bem menos poluidores.

Finalmente, a possibilidade de utilização dos polidutos para fibras óticas e transporte de gás, permite um ganho de escala importante para a viabilização econômica de obras desse tipo.


Descubra mais sobre Mobilidade, Logistica e Transportes

Assine para receber nossas notícias mais recentes por e-mail.

Posted in

Deixe um comentário

Descubra mais sobre Mobilidade, Logistica e Transportes

Assine agora mesmo para continuar lendo e ter acesso ao arquivo completo.

Continue lendo