O IBGE anunciou, hoje (8/6/10), que o PIB brasileiro do primeiro trimestre de 2010 cresceu 9% em relação ao de igual período em 2009 e 2,7% em relação ao último trimestre desse ano.

O T1 tem publicado matérias sobre os portos brasileiros, que mostram recordes sucessivos na movimentação de cargas nos últimos seis meses, pelo menos. Os volumes de tráfego de caminhões nas rodovias brasileiras aumentam gradativamente. O movimento nas ferrovias e nos principais aeroportos idem. Independentemente dos números, esse crescimento é percebido “a olho nú”.

Como todos sabem, a logística adequada na movimentação de cargas é condição sine qual non para garantia do crescimento da economia. Por logística adequada entendemos:
a) custos logísticos razoáveis que garantam a competitividade dos nossos produtos no comércio exterior e no mercado interno;
b) tempos de deslocamento e de permanência nos terminais que não onerem os custos logísticos, para além de um limite razoável;
c) segurança em todos os processos das cadeias logísticas;
d) elevada confiabilidade da logística escolhida por embarcadores, armadores e produtores.

Se um ou mais desses elementos não funcionam, a logística deixa de ser adequada e transforma-se num conjunto de gargalos que impedem ou retardam o crescimento da economia. Se, ao contrário, a economia cresce a taxas chinesas, é porque a a logística está adequada.

Isso não significa que, se hoje ela é adequada, daqui a cinco anos também será. É óbvio que as condições das infra-estruturas dos modais, dos recintos de armazenamento simples e alfandegados, bem como as leis e normas existentes, precisam ser, constantemente melhoradas e atualizadas para as novas realidades da dinâmica da economia brasileira e internacional. Essa melhoria, que garantirá condições adequadas da logística de cargas e de passageiros, é tarefa do governo federal, dos governos estaduais e municipais, bem como da iniciativa privada que opera os diversos portos, rodovias, ferrovias, aeroportos, sistemas dutoviários, portos secos e armazéns, entre outros elementos.

Daqui para a frente, o Plano Nacional de Logística e Transportes – PNLT (2023) e o Plano Brasil 2022 passam a ter um papel mais importante do que tiveram até o momento. Por conseguinte, o governo federal precisa investir mais no processo de atualização dos sistemas de informações que os alimentam, bem como em estruturas permanentes, no Ministério dos Transportes e no Ministério do Planejamento, que garantam o monitoramento permanente dos movimentos das cargas e dos passageiros, em todas as cadeias produtivas (no primeiro caso) e logísticas (nos dois casos). Complementado com os necessários estudos e simulações de produção e de deslocamentos nos diversos modais.

Se isso ocorrer, a logística será sempre adequada, com o surgimento de soluções de custo mais baixo do que as atuais.

José Augusto Valente é diretor técnico da Agência T1 e especialista em Logística e Transporte. É engenheiro e trabalha há 37 anos na área de transportes. Foi presidente do DER-RJ em 2002 e titular da Secretaria de Política Nacional de Transportes, do Ministério dos Transportes, no período de maio/2004 a junho/2007. Atua como consultor em Logística e Transporte.


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