O leitor deste blog, Pedro, faz duas perguntas e alguns comentários.



Caro Valente,

Duas duvidas:

1- A partir de que volume de trafego se considera necessario a duplicacao ou criacao da 3a faixa? Os criterios brasileiros sao os mesmos dos demais paises?

2- O que e considerado “bom” pavimento pras estradas? 

Recentemente, estive na Italia e me pareceu que as estradas la sao um tapete. Bem diferente da BR que passa do lado da minha cidade natal, Monte Santo; ligando Arceburgo a Paraiso (MG). 

Diferente das estradas italianas o nosso pavimento tem rachaduras, buracos, as famosas “peles de jacare”, alem de faltar passarelas pra populacao cruzar a estrada e mato encobrindo a sinalizacao. 
Tambem nao tem “olhos de gato”.

Alias, as estradas nacionais parecem (eu sou leigo) “muito feias”. O pavimento e azul cinzento escuro cheio de pedrinhas. La na Italia era um azul meio cinza claro e vc nao via pedrinha alguma. Parecia um tapete.

Vc tem certeza, que o pavimento das nossas estrada estao em “bom” estado? A da minha cidade, certamente, nao esta. E os deputados federais da regiao (2-3) nao estao nem ai. Eles andam de jatinhos.



1. A partir de que volumes de tráfego se considera necessária a duplicação ou criação de terceira-faixa? Os critérios brasileiros são os mesmos dos demais países?

O conceito utilizado na maioria dos países é proveniente da “Bíblia” dos estudos de tráfego, o Highway Capacity Manual.

No sentido de melhor traduzir a utilização da via pelo usuário, qualificando-a além de quantificá-la, foi criado o conceito de Nível de Serviço. Esse conceito, introduzido através do Highway Capacity Manual – HCM em sua edição de 1965, possibilita a avaliação do grau de eficiência do serviço oferecido pela via desde um volume de trânsito quase nulo até o volume máximo ou capacidade da via.

De acordo com o referido Manual, foram selecionados 6 (seis) níveis designados pelas seis primeiras letras do alfabeto. O nível A corresponde à melhor condição de operação e no outro extremo o nível F corresponde à condição de congestionamento completo. Entre estes dois extremos, situam-se os demais níveis.

Clique aqui para acessar o Manual de Estudos de Tráfego do DNIT e aprenda tudo o que é necessário saber sobre esse assunto.



2. O que é considerado “bom” pavimento pras estradas?


O Manual de Pavimentação do DNIT mostra toda a complexidade desse assunto que, muitas vezes, é tratado de forma desqualificada pela imprensa, levando mais confusão do que informação à sua audiência.


Há vários tipos de pavimentos e cada um é projetado em função de vários fatores, incluindo o volume de tráfego, os estudos geotécnicos, as condições climáticas e a melhor relação benefício/custo, entre outros aspectos.


Os pavimentos de concreto-cimento são de coloração cinza-claro.


Entre os pavimento de asfálticos, temos o de Concreto Betuminoso Usinado a Quente (CBUQ) que, normalmente, é o mais caro, sendo utilizado em rodovias com elevado volume de tráfego, e é bem escuro e liso.


Há, também, o Tratamento Superficial Simples, Duplo ou Triplo (TSS, TSD e TST), que é mais barato, sendo utilizado em rodovias de baixo (TSS) a alto volume de tráfego (TST). É escuro e mais rugoso que o CBUQ.


***


Quanto à crítica às condições das rodovias, volto a afirmar que estão em boas condições de pavimento, sinalização e geometria as rodovias por onde circulam mais de 80% das cargas.


Afirmo isso com base na pesquisa rodoviária da CNT, em 2007 e em informações do DNIT, das Concessionárias e dos DERs.


Agrego a isso a informação de que o DNIT, hoje, tem contrato de manutenção de toda a malha rodoviária federal e que grande parte dos Estados também estão investindo em manutenção. Utilizam para isso os recursos da CIDE repassados pela União, além de recursos orçamentários próprios.


No caso de São Paulo, por onde circula grande parte das cargas, praticamente toda a malha rodoviária está concedida à operação pela iniciativa privada, que financia seus investimentos através de cobrança de pedágio aos usuários.


Não estou dizendo que 100% das rodovias está em boas condições. O abandono a que foram relegadas no período 1990-2004 foi responsável pelo quadro deplorável que, somente de 2005 para cá, está sendo tratado como deve pela União e Estados.


Espero ter atendido às dúvidas do leitor.


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