Este é o título de um longo artigo, de minha autoria, publicado na Revista Custo Brasil.
Publicarei alguns posts com textos parciais, remetendo ao link da Revista para a leitura completa.
Este post é a continuação do post (6).
3. Modal Ferroviário
Muitas vezes, lê-se expressões sobre as ferrovias do tipo “praticamente não existem”, “são ineficientes”, “são inexpressivas na matriz de transportes”. Se isso é verdade, como se explica o aumento da participação do ferroviário no transporte de cargas, passando de 21% em 2002 para 25% em 2006?
Segundo a ANTF (Associação Nacional dos Transportadores Ferroviários), as concessionárias associadas (ALL, MRS, FCA, CFN, entre outras), tinham a previsão de atingir a produção de 280 bilhões de TKU (toneladas por quilômetro útil), em 2008 (ainda não foram apurados os números finais), uma elevação de 104% sobre o índice apurado em 1997 (137 bilhões de TKU). Com esse resultado, as empresas concessionárias dobraram a produção ferroviária em relação ao primeiro ano de operação da iniciativa privada – 1997. Desde o início da concessão, o crescimento tem sido, em média, de 5,8% ao ano. No entanto, em 2007, a produção ferroviária atingiu 257 bilhões de TKU, uma elevação de cerca de 11% sobre o obtido em 2006.
Ainda segundo a ANTF, entre 1997 e 2007, as empresas concessionárias aplicaram um total de R$ 14,4 bilhões na aquisição e recuperação de material rodante, em melhorias na via permanente, na introdução de novas tecnologias, na capacitação de pessoal e também em campanhas educativas de segurança. Em 2008, estavam previstos aportes de mais R$ 2,6 bilhões. Em 2007, os investimentos da iniciativa privada atingiram R$ 2,6 bilhões.
As encomendas de material rodante têm sido contínuas e, em 2008, o sistema contava com cerca de 2.600 locomotivas e aproximadamente 90 mil vagões. Somente em 2007, entraram em operação mais 5.793 vagões novos e 184 locomotivas. A destacar que atualmente as locomotivas adquiridas contam com potência superior a 3.600 HP e, em 1997, eram em torno de 2.000 HP.
O governo federal, desde o primeiro mandato do presidente Lula, vem investindo na expansão da malha ferroviária e na eliminação de gargalos como travessias urbanas críticas, através de contornos ferroviários. A principal obra de expansão ferroviária em andamento é a Ferrovia Norte-Sul. A outra expansão importante é a Nova Transnordestina, cujas obras foram recém-iniciadas.
Ferrovia Norte-Sul
Em outubro de 2007, o governo leiloou o arrendamento, prestação do serviço público de administração e exploração da Ferrovia Norte-Sul, de um trecho de 720 quilômetros da ferrovia, ligando Açailândia (MA) a Palmas (TO), arrematado pela Vale do Rio Doce por R$ 1,47 bilhão. Pelo modelo da licitação, a empresa repassa o dinheiro ao governo, que constrói a ferrovia. A Vale será responsável pela operação ferroviária. Até então, apenas o trecho Açailândia (MA)-Estreito (MA) tinha sido construído.
Em todo o Brasil, a ferrovia Norte-Sul ficará em torno de R$ 12 bilhões, com recursos da União.
O governo estuda estender a Ferrovia Norte-Sul até Santa Fé do Sul, no Estado de São Paulo. Pelo projeto original, a ferrovia iria de Belém (PA) até Anápolis (GO), totalizando 1.980 quilômetros. De acordo com o ministro dos Transportes o governo iniciou há cerca de dois meses estudos para a construção de mais 400 quilômetros, o que permitiria a ligação da Norte-Sul com outras ferrovias. Os estudos de viabilidade serão concluídos em março do ano que vem e a expectativa do governo é licitar o trecho Palmas (TO)-Santa Fé do Sul no segundo semestre. A previsão é que a licitação arrecade até R$ 2,5 bilhões, que serão investidos na construção da ferrovia.
Outros projetos
Além desses, estão em andamento os projetos referentes à Ferronorte Rondonópolis, o Ferroanel de São Paulo e o Trem de Alta Velocidade, ligando o Rio de Janeiro à São Paulo e Campinas.
Paralelamente, sem divulgação na imprensa, o Ministério dos Transportes está modelando, junto com o BNDES, a retomada dos trens regionais de passageiros, com modernas composições (padrão europeu) de dois a três vagões, utilizando as vias férreas existentes, em algumas “janelas” das operações de cargas. Além disso, gradativamente, estão sendo implantadas linhas de trens turísticos, com potencial de crescimento.
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