Sobre as obras do PAC
O título da matéria fala do ritmo de marcha lenta dos investimentos em transportes, apesar do PAC.
Além de tudo que foi dito, deve-se reiterar que o Projeto Piloto de Investimentos, que possibilitou alocar parte do que seria para superávit primário em investimento de infra-estrutura de transportes, foi criado pelo governo Lula, em 2004, para utilização no orçamento de 2005. Este foi o primeiro passo para aumentar significativamente os recursos orçamentários na área de tranportes.
Em 2007, o PAC veio consolidar essa lógica, dando prioridade para logística e transportes, seja com o aumento de recursos orçamentários da União para essa área, seja através de outras medidas institucionais visando maiores investimentos por estados, municípios e pela iniciativa privada.
O fato é que o Brasil foi transformado num canteiro de obras e está longe de se considerar que estamos em marcha lenta. Em 2008, sabe-se que as empresas de construção civil e pesada tiveram muita dificudade de contratação de profissionais especializados, tal a profusão de obras movidas, direta ou indiretamente, pela políticas e programas federais, estaduais e municipais.
Além disso, no início de 2009, percorri 7.500 quilômetros de rodovias federais e estaduais de alto e médio volume de tráfego, em Goiás, Minas Gerais, Rio de Janeiro, São Paulo, Paraná e Santa Catarina. Com exceção de trechos localizados (algumas rodovias estaduais, não-concedidas, de São Paulo, em especial), os demais estão em boas ou ótimas condições. Rodovias que estavam em situação precária, há cinco anos atrás, hoje estão um tapete.
Finalmente, há um macro-indicador de que a infra-estrutura de transportes está, no mínimo, em condições satisfatórias embora, como tudo na vida, ainda pode e deve ser melhorada. Trata-se dos números de crescimento da economia brasileira nos últimos anos, atingindo os patamare de crescimento do PIB de 5,6% em 2007 e 5,1% em 2008.
Dizia-se (o próprio Raul Velloso) que a infra-estrutura de transportes estava tão ruim que impediria o crescimento econômico, já que é impossível crescimento econômico com infra-estrutura precária.
O que nos leva a afirmar que se houve um crescimento significativo, inclusive do comércio exterior, é porque a infra-estrutura de transportes, ainda que num nível ainda inferior ao desejado (que parte só será atingido no final de 2010), conseguiu dar conta do recado e não foi obstáculo para a intensa movimentação de cargas no período, alavancando positivamente o crescimento do comércio exterior e do mercado interno.
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