
O varejo de bens duráveis voltou a fazer encomendas mais expressivas à indústria em março e espera que as vendas deste mês sejam superiores às de igual período do ano passado ou, no mínimo, que repitam aquele mês. Os planos são de crescimento em meio a uma atitude ainda bastante cautelosa quanto a prazos e forma de pagamento.
A razão é a inadimplência que, para algumas redes, já cresceu e pode afetar vendas futuras. Se o risco de calote aumentou em alguns lugares, em outros (especialmente no Nordeste e regiões de menor renda), o impacto positivo do aumento de 12% no salário mínimo já chegou às lojas.
A crise não espantou o público dos shoppings. Segundo Luis Augusto da Silva, diretor da Associação Brasileira de Lojistas de Shopping (Alshop), as vendas do primeiro trimestre serão maiores que a do mesmo período do ano passado.
Em janeiro, o movimento nos shoppings cresceu 10%, em fevereiro, 9%, e em março é esperado um resultado ainda melhor. “Pelo que conversamos com os associados, há uma certa cautela com as encomendas, mas as vendas estão boas, ainda mais considerando que as perspectivas para o começo desse ano era tenebrosas”, diz.
A rede de vestuário e artigos para cama, mesa e banho Leader manteve o ritmo de encomendas à indústria, após liquidar os estoques em fevereiro, quando concedeu descontos de até 60%.
A rede fluminense, com 44 lojas em sete estados do Sudeste e Nordeste, não alterou as formas de pagamento e, a partir deste mês, passou a oferecer a possibilidade de pagar a compra em até cem dias. Com os fornecedores, os prazos também foram mantidos, mas a rede investiu em negociações para baixar o custo dos produtos.
Esses números mostram que é possível não haver queda na movimentação de cargas, especialmente as de maior valor agregado.
Talvez seja por isso que os fabricantes de caminhões estejam mantendo e até aumentando seus ritmos de produção.
O governo federal, além da prorrogação da isenção de IPI para a indústria automobilística, anunciou também que haverá redução do IPI para diversos itens de segmento de construção, como cimento (de 4% para zero), tintas e vernizes (5% para zero), revestimento não-refratário (5% para zero), massa de vidraceiro (10% para 2%) e chuveiro elétrico (5% para zero), entre outros.
Para as motocicletas, haverá diminuição da alíquota da Cofins. Ainda como incentivo fiscal, o governo informou a redução da alíquota do IR para as pessoas jurídicas instaladas na Zona Franca de Manaus, bem como para as empresas do setor de papel e celulose e para a fabricação de matérias escolares como lápis, canetas, apontadores e lapiseiras.
Vamos acompanhar a evolução desses itens vis a vis a evolução do transporte rodoviário de cargas.
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