Dando continuidade ao post anterior, com a posição das empresas de ônibus interestaduais e internacionais (ABRATI), apresentamos a segunda parte do seu documento.

SISTEMA ATUAL

SISTEMA APÓS LICITAÇÃO


a) 258 empresas operando.


a)
Redução drástica de empresas concessionárias, pois a ANTT irá licitar 125 lotes, isto é, serão 125 empresas operando. Agência alega que poderá haver consórcios, mas essa não é a realidade do setor, nem há garantia de lucra-tividade que incentive consórcios com empresas de qualidade.


b) Frota de 12 mil ônibus.


b)
Frota de 4,2 mil ônibus (projeção da ANTT).


c) 70 mil trabalhadores (cerca de 30 mil motoristas).


c)
Proporcionalmente à redução da frota, 25 mil empregados (empresas vencedoras da licitação não terão de manter o nível de mão-de-obra e salários).


d) Recolhimento de R$ 1,1 bilhões em impostos, sem quaisquer benefícios fiscais do governo. Enquanto isso, cresce a concorrência desleal do transporte pirata, que não é fiscalizado pela ANTT.


d)
Arrecadação cairá com menos empresas e linhas. As vencedoras terão de fazer investimentos vultosos em plena crise e suportar carga tributária de 38% do que faturam.


e) Satisfação de 85% dos usuários (pesquisa Vox Populi de 2008, com 3.248 entrevistados em todas as regiões).


e)
Parte dos passageiros perderá ônibus diretos em alguns trajetos, e a qualidade dos serviços é uma incógnita .


f) Tarifas adequadas: a ANTT já tem poder de alterar tarifas, não depende da licitação. Pesquisa Vox Populi apontou que apenas 9% dos passageiros escolhem em- presas pelo preço (outros 4 itens são decisivos).  Em outra pergunta, 64% consideraram a tarifa barata ou justa.


f)
Contas não fecham com política tarifária: a ANTT divulga que o novo modelo irá baratear mas não mostra como fará isso mantendo a atual quantidade de linhas e de veículos, e ainda proporcionando investimentos em garagens, pontos de apoio, treinamentos etc.


g) Infraestrutura instalada: garagens, oficinas, pontos de apoio, ônibus reservas em todas as linhas, programas de qualificação do motorista.


g)
Infraestrutura em xeque: processo de licitação não enfatiza rede instalada. Em plena crise e com promessa de redução de tarifas, empresas terão de investir em grande infraestrutura para manter qualidade e quantidade de linhas.

h) A partir de tarifas prefixadas pela ANTT e exigências legais, empresas buscam aumentar produtividade para aumentar  rentabilidade

h) ANTT estruturou licitação para oferecer rentabilidade de 6,9% na operação, inferior ao rendimento da caderneta de poupança em 2008.

Aí está um debate que promete e que começou a esquentar nas consultas públicas que se encerraram no último dia 10.

Quando o Edital ficar pronto, serão realizadas audiências públicas, visando a licitação em julho.

Quando isso ocorrer, farei comentários mais detalhados a respeito.

Por enquanto, o que se pode dizer é que o sistema de transporte rodoviário interestadual e internacional de passageiros é muito complexo, e que foi artesanalmente montado ao longo dos últimos 60 anos, devido às características de um país continental, como o nosso, com quase duzentos milhões de habitantes.

Modelar esse sistema, para remontá-lo em outras bases, é algo igualmente complexo e que apresenta riscos que precisam ser avaliados pelo Ministério dos Transportes, que tem a atribuição de definir a política para o setor, e pela ANTT, responsável pela fiscalização da concretização dessa política, pela regulação desse mercado, bem como pela licitação do sistema.

Temos, até agora, a posição da ANTT e das empresas. Gostaríamos de ter, também, a posição dos usuários leitores deste blog.

Vamos lá, participe. Vote na enquete, faça seus comentários.

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