
O transporte de passageiros no mercado doméstico cresceu 9,6% em janeiro, segundo a Anac (Agência Nacional de Aviação Civil). O resultado surpreendeu especialistas e ficou acima da taxa registrada em janeiro de 2008, de 6,7%.
Para Paulo Bittencourt Sampaio, consultor em aviação, o desempenho reflete a troca de viagens internacionais pelo turismo no mercado doméstico em período de alta temporada. O transporte de passageiros em voos para o exterior realizados por companhias brasileiras caiu 7,9% no mês passado.
“A expansão em janeiro não reflete o que vai acontecer com a demanda neste ano. A partir de março, na baixa temporada, a demanda deve cair muito”, disse.
Segundo Leonel Rossi, diretor da Abav (Associação Brasileira de Agências de Viagens), a valorização do dólar e a crise econômica reduziram o interesse por viagens internacionais.
A taxa de ocupação das aeronaves em voos domésticos ficou em 71%. Na comparação com janeiro de 2008, a TAM ganhou espaço. Sua participação passou de 48,55% para 49,51%. No período, a Gol/Varig, que atua como uma única companhia desde o segundo semestre do ano passado, passou de 43,23% para 41,05%.
A participação da Webjet quase triplicou no período: passou de 1,53% para 4,33%. A Azul teve fatia de 0,96% do mercado. A empresa começou a operar em dezembro.
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Como se vê, pelos últimos posts, tanto a movimentação de cargas nos portos como a de passageiros no aeroviário ainda não sofreram um impacto significativo da crise financeira internacional.
No entanto, esses impactos deverão ocorrer, ainda que numa dimensão inferior ou muito inferior ao que é apregoado por alguns analistas.
O fato é que alguns setores ou segmentos perderão mas outros poderão se beneficiar dessas perdas, como é o caso dos vôos do turismo doméstico que ganham espaço na medida em que perde o internacional.
Tenho dúvida quanto à afirmação do especialista mencionado na matéria de que a partir de março haverá uma queda significativa na demanda. Num país gigante como o Brasil, as viagens a negócios, especialmente dos funcionários públicos federais, estaduais e municipais representam um número significativo, que tende a aumentar a partir de março, contrabalançando a queda das viagens de turismo doméstico.
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