Um dos principais portos da costa Oeste dos Estados Unidos, Seattle descarta a construção de novos terminais para ampliar seus negócios. Cercado pela cidade e com poucas áreas para expansão, desafio semelhante ao enfrentado por Santos, o complexo busca atrair mais cargas melhorando a eficiência de seus terminais e desenvolvendo programas ambientais de menor custo do que os de seus concorrentes.

As estratégicas comerciais do complexo foram debatidas por seus dirigentes na manhã de ontem, em sua sede, com empresários e autoridades do Porto de Santos, em visita à região. A viagem, que também incluiu a ida aos complexos de Vancouver (o mais importante do Canadá) e Tacoma (também nos Estados Unidos), é parte da programação do Santos Export 2008 ­ Fórum Nacional para a Expansão do Porto de Santos. Realização do Sistema A Tribuna de Comunicação e da Una Marketing de Eventos, o seminário ocorreu no mês passado, em Guarujá.

“O mercado não está aqui, mas em Los Angeles. E não temos grandes áreas. Então, para conquistar mais mercadorias, apostamos em melhorar serviços e reduzir custos”, afirmou o diretor de gestão de porto, da Autoridade Portuária de Seattle, Charlie Sheldon.

Segundo o dirigente, como a cidade cresceu ao redor do complexo e não sobraram grandes terrenos para novos terminais, a solução para ampliar suas atividades é melhorar a produtividade das atuais instalações com equipamentos modernos. Com maior velocidade nas operações, o porto se torna mais atrativo para os usuários.

Para obter essa agilidade, Sheldon destacou o uso de trens e a própria localização do complexo. Seattle é servida por duas ferrovias que atravessam o país, uma ferramenta essencial para um porto onde 70% das cargas desembarcadas são destinadas a outras regiões, como Chicago. E, às margens do Oceano Pacífico, fica a um dia de navegação da Ásia.

Outra estratégia é a elaboração de uma política ambiental sem grandes custos para importadores, exportadores e armadores. O porto exige uma redução em combustíveis poluentes e obriga os navios, quando atracados, a desligarem seus motores e utilizarem a energia hidrelétrica fornecida no cais.

Mas não há taxas adicionais, como nos portos de Los Angeles e Long Beach, complexo líder em movimentação nos EUA. “As cargas naturalmente vão para Los Angeles. Mas não temos tantas tarifas e assim temos mais chance de ganhá-las”, afirmou o diretor.

Ontem, além da reunião na sede da autoridade portuária, a comitiva brasileira conheceu as instalações do complexo, em um passeio pela Baía Elliot (onde está a maior parte dos terminais do complexo marítimo) no barco-restaurante Royal Argosy, encerrando a programação em Seattle.

Fonte: site do Porto de Santos.

Os dirigentes do porto de Seattle falaram exatamente o que vimos dizendo há muito tempo.

Para um porto ser competitivo tem que ter escala, com aumento da produtividade, berços maiores e calado. Além disso, ter bons acessos (rodoviário e ferroviário).

Do outro lado, uma cantilena de que temos que ter mais portos porque a competição é fundamental para reduzir custos.

Competição ajuda alguma coisa, mas no caso de movimentação de contêineres é a escala e a produtividade que possibilitam menores custos e menores tarifas.

Por isso é fundamental fortalecer os portos públicos existentes, como o de Santos, que já apresentam uma boa produtividade para os parâmetros atuais de calado e de berços.

Com as obras que estão em andamento ou que serão iniciadas, levando os calados para 15 metros e ampliando áreas, com novos e maiores berços e retro-área, os portos públicos reduzirão custos e tempos para os embarcadores e armadores, levando a uma significativa redução das tarifas e, com isso, dando mais competitividade aos produtos brasileiros.

Pelas declarações do ministro Pedro Brito, o Decreto dos Portos, a ser assinado em breve por ele e pelo presidente Lula, indicará esse caminho, de forma bastante clara.

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