
Medições nos 14 principais corredores de tráfego, com base nos dados de GPS, indicam perda de quase 3%
O pacote de medidas anunciado pela Prefeitura para tentar frear a escalada dos índices de lentidão no trânsito de São Paulo não surtiu efeito para o sistema de transporte coletivo.
Pior: houve redução de 0,44 km/h (quase 3%) na velocidade média dos ônibus que circulam em faixas preferenciais, fora dos corredores exclusivos, na comparação entre a média de junho e a primeira semana de agosto. A medição, obtida com exclusividade pelo Estado, foi feita nos 14 principais corredores de tráfego, com base nos GPSs instalados em 95% dos cerca de 14 mil coletivos paulistanos.
Os resultados contrariam a tese do prefeito Gilberto Kassab (DEM) – e de praticamente todos os candidatos a prefeito – de que só o incentivo ao transporte coletivo fará motoristas se convencerem a deixar os carros na garagem.
Por ora, não é o que acontece. Enquanto a velocidade média dos ônibus nas vias preferenciais permanece estagnada na casa de 15 km/h, o ganho de fluidez para os automóveis foi de até 20%, segundo a Companhia de Engenharia de Tráfego (CET). A velocidade média geral dos carros em maio, último dado disponível, era de 17 km/h – 12,8% acima da dos coletivos nas faixas preferenciais no mesmo período.
Inicialmente, técnicos da Prefeitura imaginavam que as restrições impostas aos caminhões também beneficiariam o transporte coletivo. Mas o monitoramento por GPS revelou que, em algumas vias, como a Celso Garcia, na zona leste, e a Luís Carlos Berrini, na zona sul, a velocidade média dos ônibus nos horários de pico (das 7 às 10 horas e das 17 às 20 horas) foi de 15,12 km/h na primeira semana de agosto, ante os 15,56 km/h registrados em junho.
Leia mais no site do Estadão (matéria publicada ontem, 17/8/08)
Esta matéria confirma, com dados objetivos, tudo aquilo que vimos repetindo em posts sob o marcador “Apagão no Trânsito e nos Transportes em São Paulo“, destacando-se dois pontos centrais:
a) Não é suficiente ofertar mais transporte público para motivar a redução da circulação de automóveis;
b) A restrição imposta aos caminhões não melhorou e não melhorará em nada a fluidez do trânsito;
Como consequência dessa observações, resta repetir a tese de que aumentar as restrições à circulação e estacionamento de automóveis nas áreas centrais é a forma mais eficaz de atenuar, no curto e médio prazo, o apagão diário no trânsito de São Paulo.
Pode ser que nenhum candidato ou candidata anuncie essa medida para o ano que vem, com medo de assustar a classe média e perder votos, mas é inexorável que quem vença o pleito o faça ainda no primeiro trimestre.
Pode começar por ampliar as restrições no rodízio de automóveis, com duas ou três placas por dia.
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