Recebi e divulgo a carta enviada ao jornal O Globo, pelas entidades do transporte rodoviário de cargas no Estado do Rio de Janeiro.


Após o texto, farei alguns comentários que julgo pertinentes.

A propósito da matéria divulgada no Jornal “O Globo” de hoje, sob o título “Jandira apóia o lobby dos caminhões”, os presidentes da FETRANSCARGA e do SINDICARGA enviaram a carta abaixo transcrita àquele veículo de comunicação.

Manifestamos repúdio à matéria divulgada na edição de hoje (17/06) desse jornal, sobre o pretenso “apoio ao lobby dos caminhões” por parte da candidata Jandira Feghali. Cabe-nos esclarecer que em nenhum momento houve pedido de qualquer privilégio para o segmento econômico no qual atuamos, o qual, é importante ressaltar, tem caráter essencial para a economia e para a sociedade, abastecendo indústria, comércio e o próprio cidadão.

Pedimos, sim – bem como pediremos aos demais candidatos que vierem a ser recebidos em nossas entidades – , que, sendo eleita, assumisse o compromisso de debater com a sociedade, devidamente representada pelos diversos agentes envolvidos no abastecimento urbano, formas planejadas de melhor utilização e ordenação das vias públicas.

Ratificamos que o Transporte Rodoviário de Cargas defende, como sempre defendeu, que, criadas as regras, claras e viáveis, a Prefeitura exerça o seu papel de agente fiscalizador, impedindo e multando aqueles que insistem em descumprir a Lei, praticando, por exemplo, o estacionamento indevido de automóveis, inclusive nas áreas destinadas, há mais de 15 anos, aos veículos que fazem as operações de carga e descarga.

Lembramos que o caos no trânsito do Rio de Janeiro, matéria da edição de “O Globo” de ontem, confirma o “vale-tudo” instalado no Centro da cidade, a despeito da restrição vigente aos caminhões. Enfim, não somos contra o ordenamento. Apenas defendemos que isso não seja imposto de forma autoritária, sem o devido debate, sem comprometer todos os agentes envolvidos e sem medir as conseqüências a médio e longo prazo.

Eduardo Ferreira Rebuzzi
Presidente
FETRANSCARGA
– Federação do Transporte de Cargas do Estado do Rio de Janeiro

Francisco Cézar Holanda de Oliveira
Presidente
SINDICARGA – Sindicato das Empresas do Transporte Rodoviário de Cargas e Logística do Rio de Janeiro

O transporte rodoviário de cargas é, ao mesmo tempo, uma das atividades mais essenciais para a humanidade e mais discriminada.

Ninguém gosta de caminhão. Porque é lento, prende o tráfego em pistas de mão dupla, polui, faz barulho, estraga o pavimento, quando enguiça provoca retenção do tráfego, causa acidentes, e por aí vai…

Todo mundo precisa do caminhão. Porque é ele que leva os alimentos da fazenda aos mercadinhos e supermercados, os televisores da fábrica para as lojas, os produtos de beleza da fábrica aos shoppings, os remédios para as farmácias, o trigo para as padarias, o café para as cafeterias, os jornais para as bancas, e por aí vai.

Durante os três anos em que estive à frente da Secretaria de Política Nacional de Transportes, tive a honra de conviver com praticamente todos os dirigentes das entidades do transporte rodoviário de cargas – empresas e autônomos.

Nesse período, tivemos uma relação transparente e republicana. Como o Rebuzzi e o Cezar mencionam na carta, posso testemunhar que eles não querem privilégios. Eles querem ser ouvidos. Porque querem e merecem ser respeitados pela essencialidade da sua atividade.

Os atuais prefeitos do Rio de Janeiro e de São Paulo – não por acaso do mesmo partido (DEM) – tratam essa atividade como se fôsse o lixo da sociedade. Como se fôssem marginais e não essenciais.

As restrições impostas, repito, IMPOSTAS aos caminhões em São Paulo desconsidera o quão importantes eles são para a atividade econômica da cidade e o quanto são insignificantes como agentes causais do apagão diário que ocorre naquela cidade.

Qualquer pessoa medianamente inteligente sabe que os vilões do trânsito são os automóveis, pela sua enorme quantidade em circulação. Todos os prefeitos de grandes cidades (Londres, Paris, Nova York) implementaram e implementam políticas de restrição à circulação e estacionamento dos automóveis.

Os prefeitos do Rio e de São Paulo preferem, ditatorialmente, implementar políticas de restrição à circulação de caminhões. Além disso, permitem e estimulam a ocupação do limitado sistema viário pelo transporte individual.

A busca de uma solução que concilie todos os interesses não pode prescindir do diálogo do poder executivo com todos os atores sociais envolvidos no problema.

Numa sociedade democrática e moderna é assim que tem que funcionar.

É muito pouco o que as entidades do transporte rodoviário de cargas pedem…

Para gestores autoritários, pedir diálogo é querer muito!

(As fotos mostram à esquerda, Eduardo Rebuzzi, presidente da Fetranscarga. À direita, Cezar Holanda, presidente do Sindicarga e Tânia Drumond, vice-presidente da Fetranscarga)

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