Entidades nacionais e estaduais representantes dos caminhoneiros vão definir na próxima quarta-feira (18) como será deflagrada a greve nacional da categoria marcada para o dia 25 de junho em protesto aos baixos preços dos fretes no país.
Segundo José da Fonseca Lopes, presidente da Associação Brasileira dos Caminhoneiros (Abcam), a paralisação está sendo planejada para evitar o bloqueio de estradas e incidentes graves como os que aconteceram no último movimento da categoria, em 1999, quando pessoas doentes e passageiros de ônibus ficaram presos nas rodovias.
De acordo com ele, o aumento de 15% no preço do óleo diesel, autorizado no dia 27 de maio, foi a “gota d’água” na situação precária dos transportadores autônomos de cargas, pois o reajuste, em vez de ser incorporado ao preço do frete, causou o seu rebaixamento.
A pauta de reivindicação dos caminhoneiros inclui, além do repasse imediato do último aumento do combustível, a criação pelo Ministério da Fazenda de uma planilha referencial do valor de frete a ser pago pelo quilômetro rodado que possa ser utilizada como base nas negociações com as empresas transporte de cargas.
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Tenho uma boa relação com o Fonseca, construída ao longo da minha permanência no Ministério dos Transportes, respeito suas posições mas penso que ele terá problemas em aglutinar o segmento para essa proposta.
Os valores de frete para os caminhoneiros está sempre no limite da sobrevivência dos mesmos porque:
a) apesar de recente legislação, a atividade ainda não está completamente regulamentada e o mercado ainda é predatório, com uma oferta de caminhoneiros maior do que a demanda, permitindo o aviltamento do frete. Nisso aí, a ANTT e o Ministério dos Transportes poderiam contribuir, mas não o fizeram ainda;
b) o peso do diesel será sempre um problema, na medida que o mercado está ofertante, já que ele tem um peso grande no custo operacional de cada veículo. Mesmo que o governo tivesse uma política de subsidiar o diesel para os caminhoneiros, o frete tenderia a cair mais ainda por causa do excesso de oferta de caminhão no mercado;
c) um dos principais problemas hoje para os caminhoneiros é a política da Prefeitura de São Paulo que está impondo restrições inaceitáveis para os caminhões – que são vitais para os paulistas -, em vez de implantar uma política de restrição à circulação de automóveis como vimos defendendo neste blog. Não vi na matéria, nem na entrevista que o Fonseca deu à CBN na semana passada, nenhuma menção a isso.
Eu, particularmente, penso que faria muito mais sentido uma paralisação localizada em São Paulo do que no país. Seria mais fácil de realizá-la e teria muito mais repercussão, abrindo espaço para as entidades dos autônomos cobrar, além da redução das restrições para os caminhões, uma aceleração da regulamentação da Lei que regulamenta a atividade, que é o problema central do segmento.
Do jeito que está sendo encaminhado, o governo federal ficará como o grande vilão dessa história, o que está longe, mas muito longe de ser a verdade.
Espero que o bom senso prevaleça e que a paralisação fique restrita à cidade de São Paulo.
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