Até um passado próximo, o povo dos EUA vivia o sonho do transporte individual. Em geral, em automóveis de elevado consumo por quilômetro.
Em função da elevação constante do preço do barril do petróleo e, conseqüentemente, do preço da gasolina, começa a ocorrer uma perigosa migração do usuário de automóvel para o transporte coletivo e de massa.
Porque perigosa migração? Porque os investimentos dos governos no transporte público, nos últimos anos, não considerou esse cenário. Assim, os investimentos foram insuficientes.
O artigo “Screeching to a Halt”, publicado ontem no Washington Post, trata desse tema, oferecendo uma crítica contundente à miopia governamental com o transporte público.
Um trecho que traduz bem essa crítica:
“Washington’s inattention to public transportation is bipartisan and longstanding. Congress and the Bush administration have done little to fix it.
In the omnibus transportation bill signed in 2005 (covering the period from 2003 to 2008), annual funding for mass transit is targeted at around $10 billion, of which about $7 billion goes to capital infrastructure projects.
Add that to state and local funding, and the nation’s total capital spending on transit amounts to roughly $13 billion annually.
But even by the administration’s conservative estimates, the minimum need is closer to $20 billion.
And the American Public Transportation Association reckons $45 billion to $60 billion annually would be optimal to replace and modernize aging buses, facilities, subways and rail systems. That’s quite a gap.”
Ou seja, o sonho de ontem está se tornando o pesadelo de hoje e, se continuar esse ritmo de investimento, o pesadelo não acabará tão cedo.
Para aqueles que não querem enxergar que privilegiar o uso do automóvel, nas médias e grandes cidades, é “dar um tiro no pé”, ficam os exemplos dos EUA, da Alemanha, do Japão e de São Paulo.
Não dá mais para postergar, é hora de restringir o uso do automóvel nas áreas de maior fluxo de viagens e priorizar o transporte coletivo, de massa, bem como o uso de táxi, motocicleta e bicicleta.
Não esquecendo de valorizar e ampliar os espaços para pedestres.
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