Setor ferroviário apóia plano, mas reclama da burocracia que ainda retarda a execução.
O empresariado do setor, congregado na Associação Nacional dos Transportadores Ferroviários (ANTF) recebeu o Programa de Aceleração do Crescimento com um entusiasmo que murchou em seguida, e que só agora, lentamente, começa a se recuperar.
– O PAC é um grande instrumento, como plano de governo, que nós do setor ferroviário, vimos com muito bons olhos. Lamentamos apenas que, neste primeiro ano, ele pouco tenha produzido em nossa área – diz Rodrigo Vilaça, diretor-executivo da ANTT.
Mais uma matéria confusa, que induz ao leitor a algo que não é exatamente o que está sendo dito na manchete.
1. A ANTF reconhece que o presidente Lula está priorizando o transporte ferroviário. De cargas e de passageiros.
2. Os gargalos são da época da RFFSA (Rede), anteriores à concessão das malhas ferroviárias para a iniciativa privada. Os contratos de concessão, em vez de incluirem obras como as de travessia urbana no contrato de concessão (como é feito com as rodovias), não o fizeram. Assim, ficou um pesadíssimo ônus para os cofres públicos. Ou seja, se era para a União resolver esse tipo de problema e mais os relativos à ocupação da faixa de domínio, por que extinguir a RFFSA. Não faz sentido!
3. Os gargalos estão sendo atacados, segundo prioridades definidas pelos próprios concessionários. Cito três obras em andamento:
- 17 km do contorno de São Félix – Cachoeira (BA);
- 8,3 km do contorno de São Francisco do Sul (SC);
- Construção de pátio (27 km) e contorno (12 km) de Araraquara (SP);
Duas obras importantes, em fase de licitação:
- Adequação de linha férrea e pátio (5,8 km) de Barra Mansa (RJ);
- Contorno (18 km) de Joinville (SC)
O principal gargalo ferroviário do país está com sua solução – ferroanel de São Paulo – em fase de preparação e negociação de Termo Aditivo, com a concessionária, para iniciar as obras ainda no segundo semestre.
Além disso, foram concluídas as obras do acesso ao porto do Rio de Janeiro. Clique aqui para saber mais a esse respeito.
4. A matéria, de forma leviana, mencionada os tiros ao trem com ministros, como se isso fosse um problema ferroviário e não de segurança pública. Aquela viagem, onde ocorreram os tiros, foi para inaugurar o novo acesso ferroviário, que constou da remoção de mais de uma centena de famílias (para moradias mais adequadas) e da segregação da via, através da construção de muros elevados. Incrivelmente, a matéria não menciona a conclusão das obras de um dos principais gargalos ferroviários, que é o mote da matéria.
5. A matéria mente ao dizer que para acessar o porto do Rio (7º parágrafo) os trens passam a 50 cm de milhares de barracos. As obras já foram realizadas e hoje os trens passam numa via segregada por muros elevados. Essa situação mencionada não existe!
6. Sempre tive uma boa relação com o Diretor Executivo da ANTF, Rodrigo Vilaça, e sei que ele ao mesmo tempo que reivindica legítima e corretamente uma solução mais rápida ele tem consciência que a gestão ferroviária no governo FHC foi um desastre. Se não, como explicar tantos problemas herdados? Todos sabem que nenhum desses problemas tiveram seu início no governo Lula. Mas todos sabem que é este governo que está resolvendo os problemas e garantindo a expansão da malha ferroviária, de forma vigorosa, como é o caso da Norte-Sul e da ferrovia Nova Transnordestina.
Portanto, é necessário que haja a aceleração na execução de projetos e obras para eliminação de gargalos ferroviários. Principalmente, porque nada foi feito no governo FHC.
O que não pode é veicular tanta desinformação e inverdades como as dessa matéria. A sociedade brasileira precisa, ao contrário, é de informação baseada em fatos.
***
Deixe um comentário