O sistema de pedágios para redução de tráfego e poluição nos centros das grandes cidades está se expandindo pelo mundo e abrindo um enorme potencial de negócios para as empresas de tecnologia e de gestão de estradas.
“O gerenciamento de trânsito com a cobrança de pedágios é uma tendência que já chegou a 30 municípios na Europa, está para chegar a cinco nos Estados Unidos e acabará chegando à América do Sul”, aposta Josef Czako, diretor de desenvolvimento de negócios internacionais da Kapsch, segunda maior do mundo em sistemas de telecomunicações para gerenciamento de tráfego nas estradas.
Czako falou ao Valor em um intervalo do seminário realizado ontem em Buenos Aires pela Associação Internacional de Pontes, Túneis e Rodovias Pedageadas (IBTTA na sigla em inglês), em que o pedágio urbano foi o tema principal.
Com clientes em Santiago e Buenos Aires, Czako disse que ambas as prefeituras estão analisando a implantação de sistemas pedageados para reduzir os congestionamentos, mas que nenhuma conseguiu superar a etapa inicial e mais complicada: a decisão política de passar a cobrar pelo movimento das pessoas em suas cidades.
Como se vê, é uma tendência, na minha opinião, inevitável.
Alguns pensam que com maior oferta de transporte público resolve-se o problema dos congestionamentos nas grandes e médias cidades. As experiências internacionais mostram que não. Por mais transporte público de qualidade que se ofereça, a mobilidade que um automóvel pretende oferecer é um atrativo quase irresistível.
A discussão então é a seguinte, quem paga pelos congestionamentos e suas conseqüências danosas?
O usuário do ônibus, que leva horas para fazer seus pequenos deslocamentos? Os taxistas? Os caminhões que prestam um serviço vital para a cidade? Os usuários de motos e bicicletas? Os cidadãos e cidadãs que têm que respirar o ar poluído dos milhões de automóveis?
A resposta tem que ir na linha de que se todos pagam alguma ou muita coisa, o usuário do automóvel, muitas vezes solitário no seu veículo de cem cavalos, tem que pagar também.
No mínimo, esse pagamento poderá ser destinado para melhoria dos corredores de ônibus.
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