Reproduzo o artigo de Richard Klien, publicado no JB de hoje (27/03/2008), na Seção Economia, e disponível na internet, no JB Online.

O autor é economista e presidente do Conselho de Administração da Santos-Brasil, maior operadora de contêineres da América do Sul e Conselheiro da ABRATEC (entidade que representa os operadores privados de contêineres, em portos públicos).

O Congresso e a Casa Brasil realizaram, por iniciativa do deputado Edinho Bez, importante seminário legislativo sobre portos e comércio exterior. A presença dos presidentes do Senado e da Câmara na abertura solene do seminário deu a dimensão da importância do evento.

O ministro dos Portos, Pedro Brito, e o diretor-geral da ANTAq, Fernando Fialho, deixaram claro que estão focados e coordenados na consecução do objetivo de aumentar a capacidade e competitividade dos nossos portos públicos.

O seminário homenageou o bicentenário da Abertura dos Portos às Nações Amigas. Lembrei, ao realizar a minha exposição sobre o tema Eficiência Portuária: o investidor como indutor do desenvolvimento portuário, a oportunidade de comemorar a mais recente “abertura dos portos” – aquela promovida pelo Congresso através da Lei de Modernização dos Portos, em 1993.

Ao contrário da opinião pública reinante, os portos brasileiros vêm sendo reconstruídos e ampliados desde 1997. Os resultados, visíveis a olho nu para quem visita as instalações, podem ser conferidos matematicamente. Basta recordar que a nossa corrente de comércio exterior estava estagnada no patamar de US$ 100 bilhões anuais por quase uma década até 2002. Ano passado superou a marca histórica de US$ 275 bilhões.

Foram os portos públicos – através dos terminais licitados pelas Companhias Docas e transferidos à iniciativa privada – os responsáveis pelo memorável feito. A movimentação de carga geral, aquela de maior valor agregado, atingiu o total de 102 milhões de toneladas em 2006, ante 48 milhões em 1999. Desse total, os portos públicos foram responsáveis por 82 milhões de toneladas, e os terminais privativos por 19 milhões de toneladas. Em 1999, os portos públicos movimentavam 35 milhões de toneladas e os terminais privativos 13 milhões de toneladas. Resumindo, na movimentação de carga geral, os terminais privatizados dos portos públicos cresceram 136%, e os terminais privativos 48%, conforme as estatísticas da ANTAq.

A crescente conteinerização da carga geral é um fenômeno global. Hoje, aproximadamente 70% de toda a carga viajam acondicionados em contêineres. Os 12 terminais de uso público já investiram mais de US$ 1 bilhão na reconstrução, ampliação e modernização das suas instalações. E a movimentação de contêineres cresceu 255%. É isso mesmo, os mesmos 12 terminais que operaram 1.341.817 contêineres em 1997, em 2007 passaram a movimentar 4.763.781 unidades. E as filas de espera dos navios passaram de vários dias para algumas horas.

A partir de 2006, os investidores em infra-estrutura do mercado de capitais associaram-se à empreitada. Três IPOs (oferta pública de ações, na sigla em inglês) de operadores de terminais de contêineres de uso público (Santos-Brasil, Wilson Sons e logIn) captaram R$ 2,49 bilhões na Bovespa. Recursos que estão sendo investidos em novas ampliações, como o quarto cais de atracação do Tecon 1, da Santos-Brasil, que será inaugurado antes do fim do ano.

A gestão profissional dos terminais, boa governança corporativa imposta pelo mercado às empresas de capital aberto, e a manutenção do marco regulatório vigente serão indispensáveis para manter o fluxo de investimentos no setor. Assim, assistiremos a um novo ciclo virtuoso, em que os portos públicos continuarão a cumprir a missão de suportar o crescimento do nosso comércio exterior, no mais perfeito alinhamento com o interesse público.

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