Este é o título na coluna da jornalista Eliane Catanhede, da Folha de São Paulo, uma das maiores críticas do governo Lula.

Vejam que a jornalista chega à conclusão que já tínhamos chegado e tentamos demonstrar esse tempo todo: o apagão aéreo não existiu e sim alguns momentos críticos fruto do movimento dos controladores de vôo.

É claro que ela atribui o que houve à ausência de governo, com o que não concordamos totalmente. Mas o texto é importante, porque é o primeiro reconhecimento dos críticos incondicionais do governo de que tudo o que se falava que levava aos termos “apagão aéreo”, “caos aéreo” e “crise aérea”, com características estruturais, não existiu, nem existe.

Vou reproduzir alguns parágrafos; quem quiser ler o texto todo, clique aqui.

Vamos pensar juntos:

1 – O sistema de controle aéreo é o mesmo, as companhias aéreas continuam as mesmas (ou são menos ainda), os aeroportos continuam os mesmos, as pistas continuam as mesmas. E não houve uma mudança climática significativa (entre dilúvio sem parar e céu de brigadeiro contínuo).

Então, por que, de repente, não mais que de repente, o caos aéreo que enlouqueceu as pessoas durante um ano evaporou?

2 – O aeroporto de Congonhas continua o mesmo, o pátio continua o mesmo, as pistas continuam as mesmas, os prédios ao redor continuam os mesmos, os aviões continuam os mesmos, o sistema de controle aéreo continua o mesmo.

Então, por que, de repente, não mais que de repente, Congonhas foi desativado para várias operações (inclusive de escalas e conexões) e também de repente, não mais que de repente, foi anunciado que tudo vai voltar a ser como era antes?

O choque do jato Legacy com o Boeing da Gol, que matou 154 pessoas em 29 de setembro de 2006, foi terrível e traumatizante, mas foi um episódio em si. Não justifica, ou não justificaria que dali em diante os atrasos, cancelamentos e crises fossem se multiplicando e transformassem tudo num caos, o caos aéreo.

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Queiramos ou não, a verdade é que dezembro de 2007 marcou uma espécie de volta à normalidade. Isso significa que a operação foi uma maravilha? Não, não foi. Mas a normalidade não é uma maravilha nos grandes aeroportos do mundo, especialmente em momentos de pico, como Natal e Ano Novo. Mas a coisa funcionou razoavelmente bem para as circunstâncias, em especial na comparação com o que houve durante meses. Não vimos manchetes, fotos, gritos, lágrimas, longos noticiários sobre caos aéreo, vimos? Não, não vimos.

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