Valor Online
No primeiro ano, governo consegue iniciar 62% das obras previstas no PAC
G1 (Globo)
Governo paga 44,2% do PAC em seu primeiro ano
Folha de São Paulo (para assinantes)
O Estado de São Paulo
Governo gasta só 27% do previsto com obras do PAC
Gazeta Mercantil (para assinantes)
Governo executa 27% dos projetos previstos
As manchetes do Estado de São Paulo e da Gazeta Mercantil mostram o total desconhecimento desses veículos quanto ao funcionamento da administração pública (federal, estadual e municipal).
Eles estão se referindo ao que foi pago do orçamento de 2007. Não levam em conta o Restos a Pagar do orçamento de 2006 que, do ponto de vista de mudança da realidade (obras que melhoram a vida dos usuários) é efetivo.
Além disso, desconhecem (ou se fazem de bobos) que da execução da obra até o efetivo pagamento há um período que pode variar de um a três meses. O intervalo só não é maior porque o governo Lula criou, em 2004, o Projeto Piloto de Investimentos, que tem prioridade para liquidação e pagamento. Na época de FHC, esse intervalo podia chegar a um ano ou mais.
Assim, o fato de ter pago x% até 31/12/2007 significa que foi executado (x+k)% de obras e serviços.
Finalmente, desconhecem que nos três primeiros meses do ano, os valores referentes ao que foi executado no final de 2007 ou no início de 2008 serão pagos com recursos do orçamento de 2007 (Restos a pagar). Portanto, esses recursos não estão perdidos. Se as empreiteiras conseguirem acelerar as obras, os recursos já garantidos fluirão com facilidade.
Então, o que interessa mesmo é saber se o que foi executado está contribuindo ou não para melhorar as condições da infra-estrutura do país e possibilitar a aceleração do crescimento. No caso de primeiro ano do programa (PAC), tem que levar em conta que este foi lançado no início do ano e precisou, necessariamente, de um prazo para as ações administrativas e votações no Congresso Nacional.
Há uma informação não veiculada, mas que todos que atuam na construção civil sabem muito bem, sobre a dificuldade das empresas de construção conseguirem trabalhadores qualificados para tocar suas obras.
Outra dificuldade – sobre a qual não se fala muito – é a de aquisição de equipamentos como caminhões, tratores, retroescavadeiras, etc. As fábricas não estão conseguindo dar conta da demanda, por causa do aquecimento do setor, fruto da melhoria das condições econômico-financeiras da população e da injeção de recursos federais via Orçamento Geral da União, BNDES e Caixa Econômica, entre outras.
Conclusão: o país não estava preparado para se tornar um canteiro de obras em 2007. Em 2008, é possível que isso ocorra de fato, conforme mencionado pela ministra Dilma Roussef.
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