Artigo de minha autoria publicado no site Newslog, em 25/11/2007

É uma pena que quase ninguém se dê ao trabalho de estudar a pesquisa rodoviária que a CNT realiza todo ano, já que ela é muito bem feita no campo. Em geral, as pessoas se contentam com a divulgação da pesquisa na televisão, que mostra uma imagem completamente diferente do que diz a pesquisa. Ao fazer essa crítica, não se trata de eu ser ou não governista, mas sim de pleitear a utilização de método científico para analisar a situação das rodovias e apontar soluções e melhorias. Diagnósticos errados, receitas erradas!

A pesquisa mostra que a situação dos pavimentos (federais e estaduais), da sinalização e mesmo da geometria – naquilo que interessa – é boa ou excelente. Especialmente, nas principais rodovias do país, de médio e alto volume de tráfego, que são as que fazem a diferença.

Foram pesquisados 87.592 quilômetros de rodovias, sendo que neste total está incluída a pesquisa de 109 ligações rodoviárias, com 56.322 quilômetros. A CNT atribui notas de 0 a 100, na avaliação do Pavimento, da Sinalização e da Geometria. A média aritmética destas gera a Nota Geral (NG), com as seguintes classificações (pág. 147, do Relatório Executivo):

Ótimo: 91 ≤ NG ≤ 100

Bom: 81 ≤ NG ≤ 90

Regular: 56 ≤ NG ≤ 80

Ruim: 41 ≤ NG ≤ 55

Péssimo: 0 ≤ NG ≤ 40

Em cima das Notas Gerais é feita uma ampla divulgação, na televisão e em outros veículos da imprensa. A partir daí, durante um ano, se repete à exaustão um falso diagnóstico da situação da malha rodoviária nacional.

Porque eu digo que é falso?

Porque a pesquisa diz outra coisa bastante diferente daquilo que é divulgado!

Senão, vejamos:

1. Para começar, qualquer nota entre 70,0 e 80,9 é considerada Regular, pela CNT. E esse Regular será juntado ao Ruim e Péssimo, configurando um percentual de 73% de avaliação negativa. Qualquer pessoa há de convir que 80, 76, ou mesmo 71, não são negativos, nem aqui, nem em qualquer país do mundo.

2. A avaliação das 109 ligações rodoviárias (56.322 quilômetros) mostra que:

a. 80 das 109 ligações rodoviárias tiveram Nota do Pavimento acima de 70,0. Ou seja, 40.304 quilômetros (71,6%);

b. 29.153 quilômetros (51,8%) têm Nota de Pavimento maior ou igual a 81;

c. 66 das 109 ligações rodoviárias pesquisadas tiveram Nota da Sinalização acima de 70. Isto representa 24.673 quilômetros (43,8%);

d. Em 70,7% dessas ligações, o traçado não obriga à redução de velocidade.

3. Ainda sobre os pavimentos, a pesquisa informa o seguinte, em relação aos 87.592 quilômetros avaliados:

a. 87,1% não apresentam buracos;

b. A condição do pavimento não obriga a redução de velocidade em 86,4% da malha;

c. 73,2% dos pavimentos dos acostamentos estão em boas condições;

d. 94,4% dos pavimentos não apresentam pontos críticos.

4. Para finalizar, e para surpresa de muitos, os dez estados com melhor avaliação dos pavimentos, considerando as notas Boas ou Ótimas da CNT (entre 81 e 100), são:

a. São Paulo: 78,8% da malha pesquisada

b. Rio de Janeiro: 69,9%

c. Rio Grande do Sul: 68,7%

d. Paraná: 64,4%

e. Distrito Federal: 57,8%

f. Santa Catarina: 55,3%

g. Amapá: 55,1%

h. Rondônia: 54,6%

i. Pernambuco: 48,3%

j. Piauí: 44,4%

Quem analisar detalhadamente a pesquisa, constatará que a situação é boa, em todas as regiões do país. Isso não quer dizer, em absoluto, que estejamos navegando num mar de rosas. Sabemos que as obras de construção, terceiras-faixas e duplicação, em andamento, e as que ainda vão ser iniciadas, é que permitirão uma condição correspondente a mais de 90% daquilo que é necessário para maior eficiência na logística de cargas e de pessoas.

Pelo menos, até 2010.


***


Descubra mais sobre Mobilidade, Logistica e Transportes

Assine para receber nossas notícias mais recentes por e-mail.

Posted in ,

Deixe um comentário

Descubra mais sobre Mobilidade, Logistica e Transportes

Assine agora mesmo para continuar lendo e ter acesso ao arquivo completo.

Continue lendo