Relatório de Desenvolvimento Humano (RDH) 2007/2008, lançado hoje em Brasília pelo Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (Pnud), revela que, pela primeira vez em sua história, o Brasil entra no grupo de países classificados na categoria Alto Desenvolvimento Humano, ainda que continue distante do patamar de outras nações em desenvolvimento, como Argentina, Chile, Uruguai, Costa Rica, Cuba e México.
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Mas o maior vilão do desenvolvimento humano no Brasil é mesmo a desigualdade de renda, segundo o coordenador do relatório do Pnud, Kevin Watkins. ” No Brasil a renda média é sete vezes maior que no Vietnã, mas os 20% mais pobres daqui têm renda inferior aos de lá”, exemplificou. A renda média dos mais ricos brasileiros é, conforme o Pnud, 21,8 vezes superior à dos mais pobres.
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É impressionante a capacidade da imprensa de jogar “ducha de água fria” – no caso, falsa – sobre as boas notícias. Qualquer melhora tem que ser complementada com um “ainda que”, “mas”, “contudo”, “entretanto” e coisas do gênero.
E neste caso, as comparações são desproporcionais, porque é mais fácil para um país, com pequena população, dar conta da educação, saúde e saneamento. Países com mais de cem milhões de habitantes apresentam dificuldade crescente para atendimentos das necessidades básicas.
Para se ter idéia do que estou falando, vamos ver a população de cada país comparado com o Brasil – na matéria – e o percentual da mesma em relação a do Brasil:
- O Brasil tem 190 milhões de habitantes
- México: 108 milhões (57%)
- Argentina: 49 milhões (21%)
- Chile: 16 milhões (8%)
- Cuba: 11,3 milhões (6%)
- Costa Rica: 4 milhões (2%)
- Uruguai: 3,5 milhões (1,8%)
O país que lidera o ranking é a Islândia (IDH = 0,968), que tem uma população de 302 mil habitantes. Para ser idéia, o Plano Piloto de Brasília tem cerca de 350 mil habitantes. Petrópolis tem 312 mil.
O IDH do Brasil, com dados consolidados de 2005, atingiu 0,800, o que lhe dá o direito de fazer parte dos ranking dos países considerados como de alto desenvolvimento. A Rússia tem 0,802. A Índia, 0,619. A China, 0,777. Os EUA têm 0,951.
O que pega, de fato, é a grande desigualdade de renda existente em nosso país, que é, exatamente, o maior esforço que o governo federal e parte dos estaduais estão fazendo para reduzir.
Essa redução está ocorrendo, mas somente será detectada na pesquisa daqui a dois ou três anos, já que essa que foi divulgada utilizou as informações de 2005.
Finalmente, é bom lembrar que essa desigualdade vem sendo construída, ao longo dos últimos duzentos anos, com bastante determinação pelas elites dirigentes e que, somente a partir do final do regime militar, foi retomada, por pressão da sociedade, uma dinâmica política e social, visando mais democracia, mais desenvolvimento e menos desigualdade.
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