Conheci Altair Baffa – o Baffinha – e aprendi a admirá-lo. Um cara “gente boa”, simples, solicito e alegre. Fica aqui, como homenagem, essa bela mensagem da entidade, a quem ele dedicou seus últimos anos de vida. Infelizmente, não tenho foto. Quando tiver, colocarei aqui neste cantinho.

Conhecemos muitas e muitas pessoas ao longo da vida, mas só as especiais marcam território corações afora. Estas permanecem, ainda que ausentes.

Altair Moraes Baffa – o Baffa, o Baffinha – é uma delas. No último sábado, 17 de novembro de 2007, foi chamado a cumprir compromisso inadiável, às 3 horas da madrugada, no espaço superior. Nem podia ser outro o momento a lhe ser dado para encerrar o expediente da vida. Era chegado às horas lunares.

As entidades do TRC-RJ tiveram a feliz oportunidade de conhecer esse homem de boa cepa em 2004, quando passou a exercer a Secretaria Geral do SINDICARGA por indicação do Presidente Cézar Holanda. De pronto, registrou o seu jeito amigo e leal na rotina da entidade. E tomou-se de amores por ela.

Meses de casa, logo em sua primeira participação na festa de confraternização anual dos funcionários do Sindicato, fez declaração emocionada. Aludindo modestamente à sua experiência profissional – que, na verdade, incluía significativas passagens nas mais importantes empresas da mídia nacional, destacadamente no jornalismo esportivo –, manifestou jamais ter se sentido tão feliz.

Estava conhecendo de perto “um setor da maior importância para o País”. O jornalista – mais, o homem inteligente e sensível que era – começava a atentar para as mazelas que o TRC enfrenta historicamente. Um dia-a-dia sem glamour, muitas causas, poucas glórias, lado a lado com líderes e funcionários que passara a admirar sinceramente.

Parecia estar unindo as pontas da vida. Trabalhando no SINDICARGA, situado no bairro da Penha, voltava a freqüentar sistematicamente o subúrbio do Rio de Janeiro – ele, nascido no Cachambi, como orgulhosamente lembrava ao falar de suas raízes. Com o mesmo amor, referia-se ao Leme, bairro do coração, onde vira crescer suas filhas queridas.

Desse traçado urbano, além e aquém túnel Rebouças, Zona Norte e Zona Sul, vieram, por certo, seus prazeres telúricos: Flamengo e Mangueira. Mas se o time era único, em se tratando de futebol, a estação primeira era apenas ponto de partida. No quesito samba, a história se ampliava: Madureira, Lapa, Estácio de Sá, Tijuca, Laranjeiras, onde veio a fundar e presidir o bloco “Quem num güenta bebe água”.

Muito mais se tem a contar sobre ele, comunista convicto e praticante – sem ser ateu! – na maneira de ser e de gostar, zero de preconceito social ou racial. Bem humorado, afetuoso, amigo, leal, sabia apreciar e valorizar o talento alheio, fosse qual fosse, sem o menor traço de inveja. E assim ia se espalhando na estima de quem quer que o conhecesse.

Bom de prosa, era fácil varar a noite com ele com variados tipos de papo. E, se o assunto viesse à tona, dizia que, quando se fosse, queria os mesmos adeuses que teve o amigo João Nogueira na última viagem. Com muita música e cerveja: xô, tristeza.

Os amigos renderam-lhe essa homenagem, talvez não completamente. Impossível não haver tristeza no lá dentro de cada um com tamanha despedida. Também é banal dizer que ele deixa saudade. Deixa muito mais. Por isso, Baffinha não se foi. Apenas não está, teve que sair mais cedo. Para nós, do SINDICARGA e da FETRANSCARGA, cedo demais.

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