Hoje publicamos os Capítulos 3 e 4 da Pesquisa Rodoviária CNT – 2006, enquanto aguardamos a divulgação da de 2007 (que está demorando, por sinal).

Agora publicaremos o Capítulo (5), referente à avaliação da Geometria, que é a que contribui decisivamente para construir o discurso de precariedade da malha rodoviária.

Quanto à geometria das rodovias:

    • A CNT tem como referência dois tipos de rodovia que recebem nota máxima na avaliação desse item:
      • Pista dupla com canteiro central e pontes com acostamento, sem faixas adicionais em terreno plano e com faixas adicionais em terreno ondulado. Que não obrigue reduções de velocidade e que não tenha mato no acostamento.


      • Pista simples de mão única e pontes com acostamento, sem faixas adicionais em terreno plano e com faixas adicionais em terreno ondulado. Que não obrigue reduções de velocidade e que não tenha mato no acostamento.


    1. Ou seja:
      • Qualquer rodovia, independente do volume de tráfego, que tenha pista simples, de mão dupla, já perde 10 pontos, mesmo que tenha faixa adicional em terreno ondulado, que não obrigue a redução de velocidade e que seus acostamentos não tenham mato. Pelo simples fato de ser “pista simples de mão dupla”


      • Se além disso, não tiver faixa adicional – porque os estudos de tráfego, com padrão internacional, não exigiram essa condição – perde mais 25 pontos.


      • Se adicionar a existência de longos trechos que obriguem à redução de velocidade, perde mais 12,5 pontos


    1. Conclusão:
      • O Brasil tem grande parte de suas rodovias em trecho ondulado e montanhoso que, devido ao volume de tráfego e ao tempo em que foram construídas, não se exigiu ou não são viáveis, tecnicamente, faixas adicionais.
      • Essa característica leva, pelo critério da CNT, à perda de 47,5 pontos, na avaliação da geometria, de quase metade da malha pesquisada (federal e estaduais).
      • Para o DNIT e DERs, é impossível o cumprimento desses critérios da CNT, porque nenhum órgão de controle (TCU e TCEs) aceitará qualquer projeto ou obra com base neles, por falta de respaldo técnico e econômico.

Agora vc já pode dar uma olhada no Quadro Geral, publicado nos Capítulos (1) e (2) desta série, e constatar o que estamos apresentando.

Ligações rodoviárias com boas condições de pavimento e geometria terminam por ter uma Nota Geral abaixo de 81, o que, para a CNT é Regular ou Deficiente.

Assim, passa-se a idéia de que mesmo as ligações com nota 100, ou próximo disso, na avaliação do pavimento, estão “todas esburacadas”, por conta da avaliação da Geometria .

É o caso das ligações:

  • Salvado (BA) – Estância (SE): com Nota Geral 80,0, apesar da notas 100 no pavimento.
  • Feira de Santana (BA) – Rio de Janeiro (RJ): com Nota Geral 70,9, apesar da nota 92,1 no pavimento.
  • Salgueiro (PE) – Recife (PE): com Nota Geral 75,9, apesar da nota 91,3 no pavimento

No próximo Capítulo, faremos considerações gerais sobre aquilo que a Pesquisa Rodoviária da CNT não considera, mas que é muito relevante: o volume de tráfego nas rodovias e, portanto, a importância deste critério para uma avaliação coerente das condições da infra-estrutura rodoviária.

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