Boa matéria da Revista Época, à exceção do item relativo à necessidade de privatização das rodovias, que é totalmente falso.
As oito idéias anunciadas na matéria, que na verdade são sete:
1. Educar os futuros motoristas
2. Tornar as auto-escolas mais rigorosas
3. Selecionar com mais critério quem dirige
4. Fiscalizar as empresas de transporte
5. Inspecionar os veículos e monitorar o tráfego
6. Privatizar estradas (este é o contrabando que se tenta passar junto com as boas medidas, invocando falsas informações)
7. Melhorar a assistência ao acidentado
Vou dar apenas duas informações para se verificar o non-sense da proposta de privatização das rodovias para redução dos acidentes.
A pesquisa do IPEA, que levantou os custos de acidentes nas rodovias, concluiu que a malha rodoviário de maior custo de acidentes é a malha das rodovias estaduais paulistas, que em grande parte tem contratos de concessão com cobrança de pedágio.
Fora isso, as rodovias não precisam estar sob contrato de concessão (o que a matéria considera com privatizadas) para que se reduzam os acidentes e as mortes, já que o fator condição da rodovia tem um peso pequeno nesse item.
O que da condição da rodovia pode levar ao acidente?
Se um veículo estiver dentro da velocidade máxima permitida em cada trecho, dirigindo a uma distância adequada do carro da frente, realizando ultrapassagens somente nos locais permitidos e com boa visibilidade, utilizando conhecimentos de direção defensiva em relação aos “malucos do volante”, sem ter feito uso de bebida alcoólica ou qualquer outro tipo de droga, descansado e, no caso de motorista de caminhão, sem excesso de peso por eixo, a probabilidade das condições da rodovia gerarem acidente estará unicamente associada à sinalização horizontal e vertical. O que significa muito pouco.
Os acidentes estão correlacionados ao elevado volume de tráfego – daí que o maior custo de acidentes é em São Paulo.
Hoje, as principais rodovias federais e estaduais do país (de maior volume de tráfego) não apresentam buracos ou irregularidades no pavimento e estão bem sinalizadas. A pesquisa rodoviária da CNT, de 2006, já mostrava isso (para quem sabe ler os números apresentados e não o release da entidade).
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