Texto do empresário Oded Grajew

Hoje, é o Dia Mundial sem Carro e serão promovidos eventos em milhares de cidades de aproximadamente 40 países.

A iniciativa, criada na França em 1997, surge da preocupação relacionada com a qualidade de vida e o meio ambiente de nossas cidades, tendo como objetivo provocar uma reflexão sobre o modelo de mobilidade atual, em que há uma presença preponderante de automóveis.

O movimento Nossa São Paulo, que procura comprometer sociedade civil e sucessivos governos com um programa de desenvolvimento sustentável e justo para a cidade de São Paulo, escolheu o Dia Mundial sem Carro para avançar na implementação dos quatro eixos do programa: construção de indicadores estratégicos para a qualidade de vida, acompanhamento cidadão dos indicadores, promoção da cultura cidadã e mobilização.

Os indicadores que resultam do modelo de mobilidade adotado na maioria das cidades brasileiras referentes à deseconomia urbana, acidentes, exclusão social e ao meio ambiente são extremamente preocupantes.

Em São Paulo, a frota de automóveis já é de 5 milhões de veículos e tem crescido numa velocidade muito maior que o crescimento populacional (500 novos carros entram diariamente na cidade).

Quarenta por cento da área central das grandes cidades brasileiras é ocupada pela malha viária. Os automóveis privados, apesar de transportarem cerca de 20% dos passageiros, ocupam 60% das vias públicas, e os ônibus, que transportam 70% dos passageiros, ocupam 25% do espaço.

A velocidade média nos horários de pico caiu 40% nos últimos 24 anos e tem caído a cada ano. O tempo perdido por ano em congestionamentos foi estimado em 316 milhões de horas em São Paulo e 113 milhões no Rio.

O tempo médio de deslocamento para o trabalho da classe com renda até um salário mínimo pode chegar a uma hora e 25 minutos. Cinco milhões de paulistanos desperdiçam R$ 13 milhões diariamente em congestionamentos, pelo tempo gasto que representa queda em arrecadação fiscal e gasto com combustível.

Os acidentes de trânsito são a principal causa de morte não natural no país. São 30 mil mortes e 350 mil feridos por ano, consumindo de 30% a 40% do que o SUS gasta em internações por causas externas. Em São Paulo, são 1.450 mortes e 28 mil lesões por ano. O custo social dos acidentes de trânsito por ano no Brasil é de R$ 5,3 bilhões, referentes a gastos com saúde, Previdência, Justiça, seguro e infra-estrutura, entre outros.

O brasileiro gasta mais com carro do que com educação. Nas famílias em que o chefe tem o ensino médio completo, o gasto com educação representa 4,9% do orçamento, enquanto o gasto com aquisição de automóvel, combustível e manutenção representa 10,8%.

O tráfego de veículos é responsável por cerca de 80% do ruído urbano. Anualmente, um carro médio emite cinco toneladas de dióxido de carbono, sendo responsável por 60% a 80% da poluição atmosférica dos centros urbanos. O transporte individual aumenta em cem vezes a taxa de emissão de CO2 por quilômetro/passageiro transportado.

O nosso diesel, pela quantidade de enxofre que possui (de cem a 400 vezes superior aos padrões internacionais), por ser altamente cancerígeno e nocivo ao sistema respiratório, mata anualmente 3.000 pessoas só em São Paulo.

A ANP (Agência Nacional do Petróleo), de forma irresponsável e criminosa, protela a entrada em vigor da resolução do Conama (Conselho Nacional do Meio Ambiente) que determina a redução drástica do enxofre no diesel comercializado no Brasil.

No âmbito do Dia Mundial sem Carro, diversas iniciativas estão sendo pensadas em São Paulo: medidas para melhorar e facilitar o transporte coletivo, incentivar programas de carona solidária e facilitar o uso da bicicleta, respeitar o pedestre e diminuir os acidentes de motos e carros, melhorar as calçadas e facilitar a circulação dos pedestres, diminuir a poluição e propor um plano para que os domingos se transformem em dias de circulação facilitada a todos por espaços públicos ocupados por atividades culturais e esportivas.

No dia 22 de setembro, a população e o poder público estão sendo convidados a refletir e tomar consciência do atual e suicida modelo de mobilidade urbana e experimentar a cidade sem o automóvel particular. Em São Paulo acontecerão passeios ciclísticos, a pé, inúmeras atividades culturais, educativas, recreativas e uma virada esportiva de 24 horas (detalhes em no Portal Nossa São Paulo). Participe!

(*) Oded Grajew, empresário, é presidente do Conselho Deliberativo do Instituto Ethos de Empresas e Responsabilidade Social, idealizador do Fórum Social Mundial e idealizador e ex-presidente da Fundação Abrinq. Foi assessor especial do presidente da República (2003).

Fonte: Portal Campo Grande News

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Uma resposta a “O Dia Mundial sem Carro”

  1. Avatar de toni

    Fazer a nossa parte por menor que seja, pode ser a solução na questão do aquecimento global,sou Vereador em Barra do Piraí-RJ, e Presidente da Comissão de Meio Ambiente,e estou entrando nesta terça-feira (25/09/2007) com projeto para implantação de ciclo vias em minha cidade e com isso criar progamas que incentive o uso de bicicletas ao invés de carro , pois além de contribuir com a redução da emissão de gases tóxicos na atmosfera faz bem pra saúde.

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