O ritmo acelerado de aplicações em infra-estrutura implementado este ano fez o governo atingir, nos primeiros oito meses do ano, um volume recorde em investimento, que ganhou fôlego extra nos últimos dois meses. Com o fechamento do mês de agosto, os investimentos da União chegaram a R$ 9,6 bilhões, a melhor marca desde 2001. O montante supera, inclusive, em termos reais, as aplicações feitas no mesmo período dos dois últimos anos eleitorais, em que a ordem costuma ser abrir o cofre para acelerar as obras antes do pleito. Apesar da quantia expressiva, o desempenho alcançado ainda não é o ideal. Faltando quatro meses para acabar o ano, o total desembolsado até agosto corresponde a menos de um terço do previsto para 2007.Nós sempre dissemos que quem entende um pouquinho de administração pública não faz avaliação pelo liquidado e pelo pago. Às vezes, nem pelo valor empenhado.
Porque não? Porque a dinâmica da execução orçamentária é diferente ao longo do ano.
Nos três primeiros meses, gasta-se o Restos a Pagar processado, do ano anterior.
Como o decreto de execução orçamentária, normalmente, é publicado no segundo mês do ano, e o contingenciamento é anunciado nesse momento, somente a partir do terceiro mês inicia-se a maratona de empenhos referentes ao orçamento do ano.
As obras e serviços estão em pleno andamento – em grande parte graças ao Restos a Pagar do ano anterior – e quem for conferir nas contas publicadas não verá isso, e será levado a pensar, de forma equivocada, que está tudo parado, quando isso é o oposto do que está ocorrendo, na realidade.
A dinâmica de aceleração dos valores liquidados e pagos se dá a partir do meio do ano e atinge sua velocidade máxima nos dois últimos meses do ano.
É isso que grande parte da população não sabe e fica influenciada pelas notícias equivocadas de baixo ritmo de gastos orçamentários. O pior é que essas notícias não informam esta dinâmica e no final do ano não mostram que a execução orçamentária mais o Restos a Pagar significam quase 100% do previsto.
Na cabeça do leitor fica registrado que o governo federal é lento para executar as obras e serviços necessários. Não é verdade.
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