Ontem, em seminário promovido pela Fiesp para debater a questão logística no Brasil, Marcelo Perrupato, consultor do Centro de Excelência em Engenharia de Transportes, fez uma interessante exposição do Plano Nacional de Logística e Transporte, um projeto de Estado, diferentemente do PAC, que é um projeto de governo. Este plano começou a ser elaborado no ano passado e deveria ter ficado pronto em dezembro de 2006, mas ainda não foi concluído.
A idéia central é produzir uma base de dados sempre atualizada, a partir de um sistema de informações geográficas que permitirá a definição de eixos estratégicos para cargas e passageiros. Além disso se pretende introduzir diretrizes estratégicas, selecionando projetos mais urgentes, alguns deles já incluídos no PAC, conforme explicou Francisco Costa, do departamento de Política de Transportes do Ministério dos Transportes.
O projeto prevê R$ 170 bilhões a serem investidos entre 2008 e 2011. Pouco, ante as necessidades do Brasil, e muito, perante o caixa do Tesouro Nacional. A maior dúvida entre os presentes era se realmente este projeto será implantado. Tanto assim que, da platéia, veio uma pergunta sobre quando será implantado o Plano de Implantação do PNLT e do PAC… Desde a última tentativa brasileira de se montar uma ação desse tipo no setor logístico, que data de 85, pouco se avançou.
Em 20 anos, a infra-estrutura do País cresceu muito aquém de suas necessidades e hoje se tornou um problema central para o crescimento da economia nacional. Outras tentativas de amplitude menor foram feitas, também sem sucesso.
O secretário-executivo do Ministério dos Transportes, Paulo Sergio de Oliveira Passos – que assumiu interinamente o ministério na ausência temporária de Alfredo Nascimento -, foi firme nas suas ponderações sobre o andamento do projeto. ‘Antigamente, a infra-estrutura não era prioridade número um. Hoje, garanto que é’, justificou, sem, no entanto, arriscar datas de implantação do PNLT.
O plano mereceu elogios do consultor Rafael de Almeida Magalhães que, juntamente com Eliezer Batista, está entre os maiores conhecedores do processo logístico no Brasil.
Fonte: Sonia Racy / O Estado de São Paulo
Sobre o PNLT esclareço o seguinte:
1. O PNLT compreende o período 2007/2023. Logo, embora tenha sido desenvolvido por este governo, ele atravessará outros períodos presidenciais.
2. Foram utilizados métodos de previsão das tendências macro-econômicas (FIPE) e dos respectivos fluxos de cargas (Logit) – métodos consagrados no Brasil, em outros estudos estratégicos
3. Como é um projeto de Estado e não só de governo, os principais atores sociais que têm relação com o assunto foram ouvidos, através de 9 workshops regionais e dois nacionais, além do recebimento de contribuições durante o ano de 2006. Principais atores: todos os governos estaduais, a CNI, a CNT, a CNA, a CNTT, todas as federações de indústria, a ANUT, os Ministérios que se relacionam ao assunto, a NTC&Logística, todas as entidades estaduais do transporte rodoviário de cargas, entre outros.
4. Não há dúvida que o projeto foi implantado. As diretrizes estratégicas do PNLT são as diretrizes do PAC. Os projetos do PAC estão em total consonância com as conclusões do PNLT para o período 2007-2010 (lembrar que o PNLT vai até 2023)
5. Hoje nós temos um banco de dados, com um sistema geo-referenciado na área de transportes (desmantelado pelos governos anteriores, entre 1991 e 2002), um método de análise macro-econômica, um sistema de simulação de fluxos de cargas em função de elementos macro-econômicos e um portfólio de projetos e ações/medidas no âmbito legal a serem desenvolvidas para eliminar gargalos. Todo esse aparato será utilizado para monitorar a implantação do PAC, que é o PNLT nos seus primeiros quatro anos.
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